Apesar da aftosa, mercado mantém alta
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terça-feira, 23 de janeiro de 2007
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O complexo carnes registrou em 2006 um incremento de 5,5% nas vendas para o mercado internacional, totalizando US$ 8,6 bilhões, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Isso indica que os focos de febre aftosa e o embargo às exportações de carne do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul não causaram impacto negativo na balança comercial brasileira. Nestes três Estados, entretanto, as exportações caíram, enquanto em outros locais o comércio exterior de carne bovina in natura chegou a aumentar. O índice foi de mais de 1.600% em volume no ano a partir da realocação dos contratos já firmados com os frigoríficos.
De acordo com o Mapa, as exportações de carne bovina cresceram enquanto o comércio internacional de frango e suíno caiu. O valor exportado de carne bovina in natura aumentou 29,6% (de US$ 2,4 bilhões em 2005 para US$ 3,1 bilhões em 2006), resultado do incremento da quantidade exportada (12,9%) e dos preços (14,8%). Os valores exportados de carne de frango in natura e carne suína in natura diminuíram 12,1% e 11,8%, respectivamente. Os focos de febre aftosa confirmados trouxeram prejuízos maiores especificamente para três Estados: Paraná e Mato Grosso do Sul (onde foram confirmados focos) e São Paulo porque as exportações foram embargadas.
No entanto, maus negócios para uns trazem boa sorte para outros. No total faturado, Mato Grosso foi o estado que mais lucrou em divisas. Entre janeiro e outubro de 2006, o total exportado de carne bovina rendeu US$ 427.804.107, enquanto no mesmo período de 2005 os recursos foram de US$ 169.143.314. Houve um incremento de pouco mais de 107% em volume negociado. Percentualmente, o Estado que mais lucrou foi o Pará, que registrou um aumento de 2.405,91% nas exportações de carne bovina in natura. Em volume, a negociação de todo o complexo carnes saltou de cerca de 381 mil quilos para 7,3 milhões de quilos.
O comércio internacional de carnes rendeu US$ 17.109.147 entre janeiro e outubro do ano passado contra US$ 953 mil registrado no mesmo período. As exportações de carne bovina in natura também geraram aumento das divisas para Goiás. O volume do produto negociado cresceu de 186 milhões de quilos para 284 milhões de quilos. A lucratividade aumentou de US$ 303 milhões para US$ 632 milhões. Minas Gerais também ganhou com as exportações de carne. O comércio de carne bovina in natura cresceu 222% e as negociações atingiram US$ 229 milhões.
Embora São Paulo continue sendo o Estado que mais exporta carne foi registrado uma queda no volume de 10,51% entre janeiro e outubro comparando com o mesmo período do ano passado; o comércio exterior de carne bovina in natura caiu 19,37%. O Paraná foi um dos Estados que mais sentiu os prejuízos trazidos pela confirmação dos focos de febre aftosa. Segundo dados do Sindicato das Indústrias da Carne do Paraná (Sindicarnes) as exportações caíram mais de 80%.
Baixos preços - Coincidentemente, neste período (entre janeiro e outubro deste ano) o preço da arroba do boi atingiu um dos patamares mais baixos. No Paraná, segundo levantamento feito pelo Departamento de Economia Rural (órgão vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento), em abril, a cotação chegou a R$ 45,28, valor mais baixo do que a média obtida em 2002, de R$ 45,51. A cotação da arroba fechou o ano passado com média de R$ 48,86, o menor valor médio desde 2002.
Se os preços pagos aos pecuaristas despencaram o mesmo não se pode afirmar do custo no atacado e para o consumidor final. Conforme a pesquisa do Deral, a carcaça (trazeiro) atingiu preço médio no ano passado de R$ 4,30 o quilo, valor maior do que o registrado em 2005, por exemplo, quando o mesmo produto foi negociado, em média, por R$ 4,18. Os cortes também tiveram seus preços reajustados. No varejo, o quilo de alcatra atingiu cotação média de R$ 10,03 no ano passado, preço quase 30% superior à média atingida em 2002. O mesmo aconteceu com o custo do quilo do coxão mole que, para o consumidor, aumentou pouco mais de 30% entre 2002 e 2006.


