Agência Estado
De São Paulo
Pela segunda vez nesta semana, o Banco Central voltou ontem ao mercado de câmbio para vender dólares. Assim, o BC cumpre com a sua intenção de atuar no câmbio, e não no mercado de juros, para controlar as pressões inflacionárias. Como o diagnóstico atual é de uma inflação de custos (e não de demanda), onde a maior pressão está nos preços do atacado e o dólar é fator de alta para as commodities, o BC deixa claro que não quer alta do dólar.
O dólar chegou a atingir uma valorização máxima de 0,20%, a R$ 1,9340. Mas, quando o BC atuou, estava em R$ 1,9330. No encerramento dos negócios, a moeda era negociada a R$ 1,9320, alta de 0,10% em relação a ontem.
O mercado de renda fixa tentou ensaiar uma tranquilidade, apesar das altas dos índices de inflação acima das expectativas (a segunda prévia do IGP-M anteontem de 1,87% e a segunda prévia do IPC-Fipe ontem de 1,21%). Mas se traiu quase ao final dos negócios: bastou que algumas poucas instituições partissem para venda forte de contratos de DI março após as 16 horas, para que o resto do mercado tentasse correr na mesma direção. Resultado: forte queda nos preços dos contratos e elevação dos juros futuros.
Como pouco depois foi divulgado o resultado do IGP-10 de novembro (alta de 2,21%, novamente superior às expectativas), houve quem relacionasse a investida daquelas primeiras instituições na venda a uma estimativa mais próxima do que viria a ser o resultado do índice.
As bolsas mantiveram alta firme ontem, apostando na sinalização do BC de que a inflação será combatida via câmbio e não através dos juros. Se isso for verdade, há mais um motivo extra para comprar ações: a inflação alta reduz ou até anula o rendimento real das aplicações em renda fixa e as bolsas passam a ser um nicho atraente. O Ibovespa subiu 2,86%, com volume de R$ 1,876 bilhão.

mockup