São Paulo - A expectativa de novas altas na taxa básica de juros foi confirmada ontem pelo presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, ao dizer que a política fiscal não substitui a política monetária. Ou seja, de acordo com Meirelles, o aumento da meta de superávit fiscal para este ano não reduz a responsabilidade do Comitê de Política Monetária (Copom) de mexer na taxa de juros, se for necessário. Ele deu essa declaração ao deixar o almoço de posse da nova diretoria da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), depois de ter falado sobre o mesmo tema durante o seu discurso.
Segundo Meirelles, tanto a política fiscal quanto a política monetária são importantes e têm atuação, mecanismos de transmissão e defasagens diferentes. Ele disse que o País cada vez mais segue o consenso de que não há um dilema entre estabilidade macroeconômica e desenvolvimento. Junto com esse consenso, Meirelles apontou também para uma melhora do diagnóstico e para o papel de cada política econômica.
De acordo com o presidente do BC, apesar de a política fiscal ser fundamental para a queda da relação dívida/PIB e também para levar à redução do risco país e da taxa de juros de médio e longo prazos, ela não deve ser confundida com a política monetária. ''Não se pode trabalhar com uma mistura de instrumentos'', afirmou, insistindo que cada uma das políticas a fiscal e a monetária tem um papel específico. Meirelles destacou que o BC tem trabalhado para reiterar a estabilidade que garante a previsibilidade e, com isso, tornar viáveis os investimentos sustentados.
O presidente do BC disse que, após a decisão do governo de elevar o superávit primário e a do Copom de aumentar a Selic, tem ouvido indagações de empresários que ameaçam suspender investimentos planejados e em curso. De acordo com ele, o que ocorre é exatamente o contrário. Um aumento de superávit primário seria a garantia de um crescimento maior da economia no futuro.
Meirelles conclamou os empresários a investirem no Brasil, assegurando que o crescimento a taxas fortes deste ano continuará em 2005. ''Os empresários que querem assegurar uma fatia de mercado para as suas empresas têm de investir porque o Brasil vai crescer.'' Segundo ele, os ajustes na política econômica sem mencionar a recente elevação da meta do superávit primário estão sendo feitos para garantir o crescimento, e não para freá-lo. ''Muito pelo contrário. O ajuste é para que o crescimento seja sustentável, não apenas no próximo ano, como também nos seguintes.''

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