Aperto bate recorde, mas não paga juros
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sexta-feira, 29 de abril de 2005
Folhapress 
Brasília- O aperto fiscal feito pelo setor público atingiu níveis recordes no mês passado. Juntos, União, Estados, municípios e estatais economizaram R$ 12,258 bilhões para o pagamento de juros, o maior valor já registrado desde que o Banco Central passou a calcular essa estatística, em 1991. Ainda assim, o superávit primário acumulado não foi suficiente para compensar todos os gastos com encargos da dívida pública, que chegaram a R$ 13,917 bilhões.
Entre janeiro e março, o esforço fiscal do setor público somou R$ 27,677 bilhões, também recorde para o período. O resultado representa 6,16% do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre, sendo que a meta é encerrar o ano com um saldo equivalente a 4,25% do PIB em geral, a maior parte dos gastos do governo se concentra no segundo semestre, em despesas como o pagamento de férias e 13º salário para os servidores públicos.
Também entre janeiro e março, os gastos com juros somaram R$ 37,905 bilhões, valor 21% maior do que o registrado em igual período do ano passado. Em março, a dívida líquida do setor público ficou em R$ 965,949 bilhões, um crescimento de R$ 5,461 bilhões em relação a fevereiro.
Além dos gastos com juros, ajudam a explicar o maior endividamento do governo a alta de 2,54% registrada pelo dólar no mês passado. Segundo cálculos do BC, 13% da dívida do setor público é atrelada à taxa de câmbio e, portanto, cresce sempre que o real se desvaloriza.


