O cartão conquistado de forma rápida e simples gera um custo alto e o consumidor precisa ficar atento
O cartão conquistado de forma rápida e simples gera um custo alto e o consumidor precisa ficar atento | Foto: Shutterstock



A Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), realizada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) e divulgada nesta semana, aponta que o cartão de crédito continua sendo o grande vilão do endividamento do brasileiro. As dívidas no cartão foram citada por 76,4% das famílias endividadas.
Com as exigências cada vez menores para liberação de um cartão, principalmente os de marcas próprias, cria-se a ilusão de crédito fácil, mas essa facilidade traz embutido um custo que passa desapercebido pelo consumidor: juros altíssimos.
A Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) fez um levantamento sobre o CET (Custo Efetivo Total) e anuidades dos cartões de créditos de lojas, supermercados e bandeiras de combustíveis e chegou a conclusão de que, apesar do sucesso deles, da promessa de ausência de custos e pouca burocracia para aquisição, eles não são tão vantajosos assim. Na avaliação de 37 cartões foram encontradas taxas de juros do rotativo chegando a 875,25% ao ano.
"Quanto mais fácil o crédito, mais caro ele fica. A falta de burocracia, sem avaliação de perfil e renda, o cartão super-rápido e simples geram um custo alto e o consumidor precisa ficar atento a isso", disse Renata Pedro, especialista em crédito da Proteste.
Para a especialista, o consumidor precisa analisar o seu perfil de compras antes de decidir pelo cartão da loja. É vantajoso para quem tem o perfil de comprar regularmente naquele estabelecimento e assim consegue aproveitar as vantagens oferecidas pelo uso do cartão. Mas o comprador eventual precisa avaliar os custos de manutenção.
A Proteste defende que não haja cobrança de anuidade, pois no entendimento da associação, o valor das faturas já cobre os custos. O levantamento mostrou cartões cobrando quase R$ 330 ao ano de anuidade. Algumas marcas cobram a taxa quando há movimentação, o valor vem incluso nas parcelas das compras.
A consultora de vendas Caroline Santos Umezo, 31, tem um cartão que funciona neste sistema de anuidade apenas na compra. "Fujo de cartões de loja, mas procurei esse porque sabia que tinha a vantagem de parcelar em 20 vezes, sem juro, mas com uma taxa de anuidade nas parcelas. Foi um acréscimo de R$ 7 por fatura", explicou Umezo.

LIMITE
Pedro afirma que não vale a pena ter vários cartões, sejam de lojas ou de instituições bancárias. O aconselhável é ter apenas um na carteira e concentrar as compras nele. "Às vezes, o limite desses cartões somados ultrapassam a capacidade de pagamento e muitos consumidores também acabam usando esses limites como extensão de renda", disse a especialistas.
Segundo ela, as pessoas não levam em consideração a taxa de juro e o quanto isso pode onerar a conta em caso de atraso ou de usar o rotativo. "A taxa de juro média é de 300% a 400%, mas há casos de ultrapassar os 800%. Se a pessoa deixar de fazer o pagamento é praticamente impossível conseguir pagar no mês seguinte", comentou.
Também é preciso ficar atento aos serviços agregados. "Às vezes, já vêm embutidos serviços que você nem percebe e paga todos os meses. Qualquer custo extra deve ser informado previamente ao consumidor", frisou Pedro.
Outra questão que deve ser avaliada é a forma de pagamento da fatura. Algumas lojas emitem faturas que só podem ser pagas diretamente no estabelecimento. E isso é um problema, pois se a pessoa não consegue ir até a loja no dia do pagamento já entra automaticamente no rotativo.

Imagem ilustrativa da imagem Apenas um cartão no bolso
| Foto: Arte Folha



SEM MUDANÇA
A Proteste realiza anualmente o levantamento sobre os cartões de instituições bancárias e analisa a cada dois anos especificamente os cartões de marcas próprias. Segundo Pedro, a conclusão é que as duas modalidades não apresentam diferenças. "É o mesmo mercado e os mesmos princípios: taxas de juros altas. A nossa conclusão é que não vale a pena ter mais de um cartão e que não há vantagem em substituir os cartões comuns (de bancos) por de lojas", afirmou.
A especialista comentou que se percebe o começo de um movimento, com a entrada das fintechs no mercado, de oferta de cartões mais acessíveis como os oferecidos pelos bancos Inter, Nubank e Digio, que têm uma taxa média de rotativo na casa dos 304% ao ano e não cobram anuidade.

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