Três grupos empresariais se pré-qualificaram ontem na Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) para disputar o leilão da Copel no próximo dia 31 de outubro, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Pelo menos duas empresas já são conhecidas. Trata-se da belga Tractebel, considerada favorita, e da empresa de propósito específico Maromba, formada pela Cimentos Votorantim e pela Vale do Rio Doce. As duas confirmaram que apresentaram a documentação para se manter na disputa pela estatal paranaense.
A terceira empresa foi definida ontem como ''surpresa'' por integrantes do próprio governo. A empresa pode ser francesa, caso se confirme a informação dada na semana passada pelo embaixador da França no Brasil, Alain Rouquié, de que um grupo francês teria interesse na estatal de energia.
A norte-americana NRG que ainda se mantinha no páreo chegou a fazer um pedido ontem ao governo do Estado para que fosse adiado o leilão. O presidente da empresa Luis Carlos Borba disse que o motivo era a instabilidade gerada pelos ataques aos Estados Unidos. ''Todo mercado veio abaixo, sem falar que os custos de captação aumentaram'', disse Borba à Agência Globo. Como o governo não recuou, a NRG preferiu ficar de fora.
O nome das empresas que serão qualificadas só será conhecido oficialmente na próxima segunda-feira, dois dias antes do leilão e um dia antes de elas depositarem a garantia financeira de participação, no valor de R$ 400 milhões. Antes de informar os nomes, é necessário que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) faça uma análise detalhada das propostas para saber se as interessadas atendem às exigências legais.
Segundo assessoria da Aneel, a agência reguladora tem de analisar a concentração de mercado da empresa e verificar ainda se ela está em dia com as obrigações do setor energético. Concluída a verificação da Aneel, o processo retorna à CBLC, que também fará uma vistoria em cada caso.
Quando o governo abriu a sala de dados (data room) com informações da Copel para a privatização, em 16 de agosto, 11 empresas foram se credenciando aos poucos para obter os números. Eram a Endesa, EDF, AES, NRG, Duke Energie, RWE, Tractebel, Hydro Quebec, Enel Power, Cemig e o consórcio VBC (Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa). Mas aos poucos elas foram anunciando desistência.
A maioria desistiu por causa da crise internacional e devido à falta de definição do governo brasileiro nas novas regras para o setor energético. Na semana passada havia apenas seis empresas. Ontem o governador Jaime Lerner (PFL) admitiu que as incertezas do governo federal foram um complicador. ''A grande dúvida delas se refere à regulamentação do setor no Brasil'', disse Lerner.
Mas mesmo com o enxugamento no número de candidatas, o governo não mudou o discurso e ontem voltou a comemorar a privatização. ''O número de interessados superou as expectativas'', disse o secretário do Planejamento, Miguel Salomão. Na semana passada, ele havia dito que pelo menos quatro grupos deveriam disputar a Copel.

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