Brasília O mercado de trabalho na América Latina não cumpre sua função de forma adequada. Essa é uma das conclusões do relatório produzido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sobre o mercado de trabalho na América Latina. De acordo com o estudo, as desigualdades salariais da região estão entre as maiores do mundo e a proporção dos trabalhadores cobertos pelas leis trabalhistas está caindo. Apenas 55% das pessoas empregadas na região têm atualmente acesso a um contrato de trabalho.
Segundo o relatório, há também uma grande rotatividade no mercado de trabalho. A cada ano, cerca de um em cada quatro empregos é criado ou destruído nos países estudados. Ou seja, 25% dos trabalhadores ou são demitidos ou mudam de emprego.
A avaliação feita é de que o mercado de trabalho da região se ajustou aos diversos choques e cenários voláteis com cortes de postos de trabalho, e não apenas com ajuste dos salários, pois não há flexibilidade dos salários que não podem ser reduzidos.
O assessor para Economia do Trabalho do BID, Gustavo Márquez Mosconi, explicou que uma das formas mais frequentes de flexibilizar o salário era a inflação. No entanto, quando essa inflação desaparece, como foi o caso em vários países da América Latina na última década, fica mais difícil esse processo de ajuste.
Para ele, a negociação coletiva é um mecanismo importante para combater a rigidez salarial e melhorar o crescimento da produtividade e funcionamento da empresa. O problema, segundo Mosconi, é que na negociação coletiva há um número pequeno de trabalhadores representados.
O estudo do BID aponta que os sindicatos propiciaram melhorias nas condições de trabalho para grupos de trabalhadores, mas também trouxeram altos custos para a sociedade. Do lado dos benefícios, destaca o documento, os sindicatos contribuíram para o aumento da remuneração dos seus associados e reduziram a rotatividade.
Por outro lado, o estudo do BID mostra que esses sindicatos podem reduzir os investimentos, o que seria uma variável importante para o aumento dos salários e também reduzir a capacidade de ajustamento e de adoção de reformas das economias.

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