Genebra - Em plena era da Internet, do acúmulo de satélites no espaço e da proliferação de celulares em muitos países, 2 bilhões de pessoas no mundo continuam sem ter nunca feito sequer uma ligação telefônica em suas vidas. A informação faz parte de um estudo lançado ontem pela Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), sediada em Montevidéu, e que mostra que apenas 50% da população mundial tem acesso regular às linhas de telefones fixos.
Enquanto essa parcela da população mundial ainda não conta com os benefícios da tecnologia, 400 milhões de pessoas nos vários continentes estão conectadas diariamente à rede mundial de computadores. Para a Aladi, esses números são provas de que existe uma divisão fundamental hoje no mundo entre aqueles com acesso às tecnologias de comunicação e aqueles que estão completamente excluídos de todo o avanço em telefonia nas últimas décadas.
O estudo está sendo publicado para chamar a atenção dos governos latino-americanos para o fato de que, em muitas regiões do continente, a situação do acesso da população às comunicações ainda é crítica. Além disso, o objetivo é colocar o tema no centro dos debates políticos na América Latina para evitar, segundo a entidade, que o ''futuro do continente esteja sendo comprometido''.
A Aladi afirma que as diferenças não ocorrem apenas entre os países ricos e os pobres. Existe uma divisão dentro da própria América Latina. Segundo dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT), sediada em Genebra, de cada 100 brasileiros, 42,2 possuíam acesso a linhas telefônicas de forma regular em 2002. Na Bolívia, para cada 100 habitantes, apenas 17 tinham esse privilégio. O caso mais assustador é o do Haiti, onde a média é de apenas 3,3 pessoas com acesso a telefones fixos para cada 100 habitantes, índice pior que a média na África.
Enquanto isso, 65 em cada 100 chilenos contam com telefones. Nos Estados Unidos, para cada 100 pessoas existem 114 linhas telefônicas.

mockup