Apelo da virada do milênio 'estoura' a venda de champanhe
Carmem Murara
De Curitiba
Quem tem intenção de estourar um champanhe no final do ano e ainda não comprou o produto corre o risco de ficar sem realizar a velha tradição nacional. O champanhe está vendendo como água nos supermercados e nas importadoras, que não vencem atender os pedidos feitos pelo comércio varejista. A previsão é que sejam vendidos 300% a mais em relação ao ano passado.
Parte do aquecimento nas vendas se deve a um processo natural. O brasileiro, que não tem qualquer tradição em consumir champanhe durante o ano, começa a despertar para a bebida tão difundida em países europeus onde se bebe champanhe o ano inteiro sem que haja um motivo especial. O aumento no consumo do produto tem ocorrido ano a ano, asseguram os importadores.
Mas o consumo no Brasil ainda está muito atrelado a festas e comemorações, sendo o Ano Novo o dia em que mais se consome a bebida em relação às demais datas comemorativas. Com o apelo da virada do milênio apesar da passagem acontecer, na verdade, apenas de 2000 para 2001 a procura aumentou além das expectativas. O diretor da Porto a Porto Importação e Exportação, Pedro Corrêa de Oliveira, disse que importou 8 mil caixas de champanhe e já vendeu tudo. Se eu tivesse mais três mil caixas venderia também, disse Oliveira. Para suprir a demanda, a sua empresa fez uma importação emergencial por avião. Ele afirmou que vendeu desde os produtos mais baratos até os considerados top de linha.
O preço de uma garrafa de espumante pode variar de R$ 2 até mais de R$ 400, conforme a marca. As mais baratas são as populares Sidras, que custam em média R$ 2 nos supermercados. Muitas destas bebidas baratas são carbonatadas, isto é, as borbulhas não são fruto da fermentação da fruta, mas sim da adição de carbono, como ocorre nos refrigerantes.
A venda das bebidas mais baratas ainda representa a maior parte do faturamento do comércio, mas aos poucos tem aumentado o consumo de bebidas mais caras. A Zonin (marca de champanhe) cresceu 400% no Brasil, afirmou o diretor da Porto a Porto.
O diretor dos supermercados Festval, Marcelo Breda, também diz que tem aumentado a procura pelas bebidas mais caras. Quem bebia um produto barato, está exigindo um intermediário e quem consumia um de qualidade mediana passou a comprar o mais caro, afirma. Breda fez um estoque da bebida dez vezes maior do que no ano passado e já vendeu a metade.
Vai faltar champanhe no Ano Novo, avisa o diretor do supermercado. Entre as mais caras disponíveis nas prateleiras está a Cristal, que custa cerca de R$ 400. Há espumantes nacionais, considerados de boa qualidade, com preços próximos a R$ 20.





