O vice-presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace) Eduardo Spalding, afirmou ontem que o racionamento durará um ano, e não seis meses como prevê o governo. ‘‘O racionamento que falam que será de 6 meses vai durar um ano. Não haverá água suficiente. Sem chuva, não haverá descontinuação do racionamento’’, afirmou Spalding. A entidade representa 53 complexos industriais no País.
Tudo indica que a previsão é real. Ontem o presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, defendeu ‘‘um choque de obras’’ para evitar racionamento de eletricidade nos anos de 2002 e 2003. Santos conclamou o governo federal a rever o planejamento de empreendimentos, inclusive com a antecipação da entrada em operação de usinas e de linhas de transmissão. Nos próximos dias, ele vai reunir-se com executivos das distribuidoras e das geradoras de energia das Regiões Sul e Norte do País para debater o plano de corte programado de energia nestas áreas.
A expectativa é que os apagões no Maranhão e em algumas cidades do Pará comecem a partir de julho. Já nos Estados do Sul, o racionamento está previsto para ocorrer tão logo o terceiro linhão de transmissão de energia da Usina Hidrelétrica de Itaipu seja concluído. Os técnicos prevêem que as obras fiquem prontas no próximo dia 15 de agosto. Santos enfatizou que o racionamento nessas regiões permitirá uma redução do porcentual de corte no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.
‘‘O ONS vai apresentar uma proposta para que haja tratamento equânime para todo o Brasil’’, disse Santos. ‘‘Acredito que dentro de 20 dias teremos a proposta de racionamento para estas duas regiões.’’ Os sistemas isolados da Região Norte, ou seja, os Estados do Amazonas, Acre, Amapá, Roraima e Rondônia não seriam obrigados a entrarem no sistema de apagões já que a luz elétrica é gerada em usinas térmicas a diesel.
Os detalhes do plano de racionalização de energia serão aprovados pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) no dia 23 de maio. O governo ainda não definiu a quantidade de horas que o consumidor ficará sem energia elétrica. Só está resolvido que o programa começa em junho.

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