'Apagão' está cada vez mais longe do Sul
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sexta-feira, 29 de junho de 2001
Agência EstadoDe Porto Alegre 
Ao completar o primeiro mês em regime de economia voluntária de energia, a Região Sul comemora o resultado de olho no consumo. Os dados preliminares divulgados pelas distribuidoras e concessionárias confirmam queda espontânea de demanda, os reservatórios continuam cheios e a oferta de energia irá crescer nos próximos meses, mas o panorama não é suficiente para dar por encerrado o problema. Conseguimos uma redução bastante grande, o desafio vai ser manter, observa a secretária de Energia, Minas e Comunicações do Rio Grande do Sul, Dilma Rousseff. Até o dia 25 de junho, a queda atingiu 6,58% na região, mas a secretária acredita que os 7% recomendados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para o Sul serão alcançados.
Isto aqui é uma batalha longa, adverte o presidente da Rio Grande Energia (RGE), distribuidora que abastece 254 municípios gaúchos, Sidney Simonaggio. Na área de concessão da RGE, a redução de carga deverá ficar entre 8,2% e 8,5% em junho, em relação à demanda projetada para o período, informa Simonaggio. Fomos eficazes em nossa comunicação, destaca o executivo.
Em Santa Catarina, a queda de consumo registrada em junho seria suficiente para abastecer a capital do Estado, Florianópolis. A Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) prevê, com base em dados até o dia 28, uma diminuição de 6,7% na carga em comparação com o consumo projetado , o que corresponde a 106 Megawatts médios, informa Rogério Gonçalves dÁvila, do departamento de operação.
Para colaborar com a meta regional, as federações de indústrias dos três Estados do Sul anunciaram, nesta semana, que iriam buscar uma redução de 10% no consumo do setor.
Mesmo que tenha de aumentar as transferências de energia para o Sudeste, o Sul trabalha com a previsão de passar os próximos meses fora do racionamento. Há três cenários sendo considerados: o repasse de 2.300 MW, tido como realista, o de 2.500 MW e de 2.800 MW, classificado de conservador pelos organismos da região. A transferência foi de 807 MW médios até 20 de junho, por dificuldades de equipamentos no Sudeste.
O nível de repasse está baixo, mas pode ser reposto, observa a secretária de Energia. Ainda assim, se for atingida a máxima transferência estimada e as condições presentes não forem radicalmente alteradas, não há motivos para colocar o Sul em racionamento, defende Dilma. Simonaggio acredita que o Sul ira efetivar 3.200 MW de repasse em janeiro de 2002, pois o Sudeste teria dificuldades em receber antes esta cota e mais toda a energia de Itaipu.
Até o dia 28, os reservatórios da região Sul estavam com 90,3% de sua capacidade. A antecipação de alguns empreendimentos irá reforçar a oferta de energia no final do segundo semestre. Entre as principais obras estão a Usina Hidrelétrica de Machadinho, que deverá colocar em operação a primeira turbina, com 380 MW, e a importação de mais 550 MW da Argentina deve ser concretizada em dezembro, em vez de junho de 2002.


