A Associação Paranaense de Cafeicultores (Apac) informou ontem que vai entrar na Justiça contra a empresa Coimex, uma trading exportadora de café, açúcar e álcool, que acusa de especular em cima das previsões de safra para este ano. Menos de 20 dias do início da colheita do café, a empresa divulgou em seu site previsão em que superestima a produção brasileira projetando 49,50 milhões de sacas, cerca de 10 milhões de sacas acima da previsão oficial do governo feita pela Conab, entre 37,6 e 39,6 milhões de sacas.
A Coimex também exagera na previsão da safra paranaense, acusa a Apac: 2,7 milhões de sacas comparadas à previsão oficial do Deral de 1,7 milhão de sacas.
O presidente da Apac, Ricardo Strenger, questiona a metodologia utilizada pela Coimex. Além disso, a divulgação de dados, que apontem excesso de ofertas - num momento em que os preços do café estão em ascensão -, sugere ação especulativa para prejudicar os produtores, segundo Strenger.
Esta não é a primeira vez que a Apac recorre à Justiça contra a manipulação dos números, segundo ela com fins especulativos. No ano passado, a Apac exigiu na Justiça que duas empresas, a Unificafé e a FNP Consultoria & Comércio, apresentassem a metologia usada para chegar aos dados divulgados na oportunidade. O processo está em fase de conclusão e tudo indica, segundo a Apac, que pelo menos uma das acusadas, a FNP, será condenada a pagar indenização.
Para a Apac, segundo Strenger, o importante não é a indenização, embora a decisão da Justiça deva ser cumprida; o importante é pôr fim a especulações que interferem no mercado derrubando preços. Strenger lembrou que no ano passado a divulgação da previsão de safra da Unicafé chegou a derrubar 500 pontos na Bolsa de Nova York. Este ano as previsões superestimada não chegaram a tanto, mas os números sempre prejudicam o ritmo normal da comercialização.
Segundo o presidente da Apac, esses levantamentos aleatórios não são confiáveis; provêm de empresas de países importadores do produto e, portanto, são no mínimo suspeitos.
Além de recorrer à Justiça, a Apac conseguiu que o Ministério da Agricultura também entrasse na briga, questionando as previsões. Ontem, o secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Pedro Camargo, disse que a atitude da empresa foi irresponsável ao divulgar essas informações.

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