Apac propõe análise quantitativa do café
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de março de 2001
Guto Rocha De Londrina 
A Associação Paranaense de Cafeicultores (Apac) está propondo ao mercado um projeto para realização de análise quantitativa das misturas de café que hoje são disponibilizadas aos consumidores da bebida em todo o mundo. Segundo o cafeicultor e candidato à presidência da Apac, Ricardo Gonçalves Strenger, os cafés que estão no mercado trazem na embalagem apenas informações de que o produto está isento de misturas como milho, cevada e palha. Mas os consumidores desconhecem que o pó de café comercializado no Brasil e no exterior é composto por dois tipos de café, o arábica e o canephora (conillon e robusta).
O problema desta mistura, segundo Strenger, é que o consumidor acaba sendo lesado ao comprar um produto que traz na sua composição um café de qualidade e preço inferior, que é o canephora, e pagar como se estivesse levando apenas o café arábica. O produto comercializado chega a ter mistura de até 60% de conillon, afirma. O cafeicultor observa que este tipo de café é inferior por não ter aroma, sabor, nem paladar, e um elevado teor de cafeína. Ele acaba servindo apenas para fazer volume no pacote, comenta.
O cafeicultor afirma que estas misturas acabam prejudicando os produtores de café arábica do Brasil. É que o preço do robusta é mais baixo no mercado internacional, e com o aumento da sua produção e consumo, por causa das misturas, acaba derrubando também as cotações do arábica. No Brasil, a maioria dos cafeicultores produz a espécie arábica. A produção de cafés canephora se concentra no Espírito Santo e em Rondônia.
O projeto da Apac está sendo conduzido pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, e prevê a classificação do café disponibilizado aos consumidores de acordo com o grau de mistura dos dois tipos de café. A idéia é de que estas informações sejam impressas nas embalagens, e o preço ao consumidor determinado de acordo com o grau de mistura. O café 100% arábica, que tem melhor qualidade como bebida, seria o mais caro. A pesquisa é inédita e poderá servir de referência em todo o mundo, diz.
Segundo Strenger, os produtores serão beneficiados com a implantação do projeto na medida que haverá valorização dos cafés arábicas de melhor qualidade. Hoje os produtores que primam pela qualidade recebem um diferencial de preço muito pequeno em relação aos cafeicultores que são menos profissionais, comenta. Outra mudança que o projeto deve trazer é em relação aos compradores de café. O mercado vai exigir profissionais de compra que sejam especializados e consigam classificar o produto de acordo com sua qualidade. afirma.
Além das propostas em relação à classificação do café, Strenger também propõe medidas para que o produto brasileiro conquiste o mercado chinês, o maior do mundo. Sugerimos que o governo destine 2 milhões de sacas de café dos estoques oficiais para promoção e distribuição gratuita e material para o preparo do café caipira. O investimento do governo seria inferior a US$ 200 milhões, que é a metade do que deixamos de exportar no ano passado, calcula.


