Apac decide interpelar mais uma exportadora
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quinta-feira, 18 de abril de 2002
Oswaldo Petrin Reportagem local 
A Associação Paranaense de Cafeicultores (Apac) vai interpelar judicialmente a Comissária Exportgadora e Importadora Comexim, de Santos, por ter superestimado a previsão de safra de café, fato que dá origem à especulações em prejuízos dos produtores.
A decisão da Apac foi tomada ontem de manhã, em Santo Antônio da Plantina. A Apac quer que a Comexim apresente na justiça a metodologia usada para chegar aos números que projetou. Segundo a Comexim, a safra cafeeira que está sendo colhida deve produzir 45,2 milhões de sacas, das quais 10,8 milhões são de cafés robusta.
A previsão da Comexim é pelo menos 6,2 milhões de sacas acima da previsão oficial da Conab (39 milhões). Operadores do mercado nas praças de Londrina e Maringá também estranharam os números da empresa de Santos e preferem operar com base nos dados do governo. A Conab evita comentar o assunto; uma fonte da empresa estatal disse que seus números são confiáveis e e resultam de levantamento feito por profissionais que usam critérios técnicos.
O presidente da Apac, entrevistado ontem sobre a medida, disse que a entidade vai questionar na Justiça todos os autores desses levantamentos cujos números são questionáveis pois resultam de critério aleatórios, sem metodologia científica. Se os dados denotarem carater especulativo, como sugerem na maioria das vezes, a Apac questionaria até mesmo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda).
O processo movido ano passado contra as empresas Unicafé e FNP Consultoria & Mercado está na fase de indenização. Essas empresas, segundo parecer da autoridade judicial, teriam de indenizar os produtores pelos prejuízos causados pelas suas previsões. (Quando da divulgação dos dados, ano passado, houve queda nas bolsas, para contratos futuros, e no mercado físico).
A Apac pretende que o governo tome uma posição mais firme. O mesmo espera que ocorra com entidades mais fortes da cafeicultura, como o Conselho Nacional do Café.
O ministro Pratini, em Londrina na semana passada, quando perguntado por este jornal sobre as especulações feitas com as previsões do café, criticou firmemente tais previsões. Pratini disse que o mercado deve confiar apenas nas previsões oficiais (Conab) e chegou a sugerir que a imprensa não dê espaço para tais especulações. A posição do ministro agradou os produtores mas o seu gabinete não adotou nenhuma ação concreta contra as previsões que o próprio Pratini chamou de previsões especulativas e irresponsáveis.
Ontem, o presidente da Apac disse desconhecer eventual posição mais firme, por parte do governo, contra previsões jogadas na imprensa.
O Conselho dos Exportadores de Cafés Verdes do Brasil em nota distribuída no mercado ontem à tarde, defendeu o direito das exportadoras de divulgarem previsões para seus próprios agentes de comercialização, como se fosse uma comunicação interna. A nota não explica como tais informações se tornam públicas deturpando o mercado.


