O presidente da Associação Paranaense de Cafeicultores (Apac), Ricardo Gonçalves Strenger, definiu ontem como ‘‘flagrante sentido de lesa-pátria’’ as estimativas superestimadas da produção de café feitas por empresas exportadoras e de consultoria, ‘‘que não utilizam critério científico’’. A Apac está entrando novamente na Justiça, esta semana, contra a FNP Consultoria & Mercado, de São Paulo. Na semana passada, a FNP previu uma safra de 46,5 milhões de sacas, contra uma previsão (oficial) de 36 milhões a 39 milhões da Conab, órgão do governo encarregado de fezer tais previsões. A Apac quer que a FNP explique que critério utilizou para chegar a esses números.
Além de superestimar a atual safra, a FNP está projetando a safra do ano que vem, em cerca de 37 milhões de sacas, reclama a Apac. As projeções, tanto deste ano como do próximo, são precipitadas, segundo a entidade porque será impossível avaliar agora o impacto da seca em todos os Estados produtores e de eventuais geadas, no caso do Paraná.
Em artigo enviado ontem ontem à imprensa, o presidente da Apac, afirma que previsões especulativas prejudicam produtores - porque forçam a queda das cotações. Também são prejudicadas as torrefadoras nacionais e a balança comercial brasileira.
Essas previsões, amadoras, contrariam as previsões da Conab, que é órgão do governo, razão pela qual a Apac está cobrando uma posição mais firme do Ministério da Agricultura, já que os dados da Conab, nessas circunstâncias, estão sendo contestados, ou, no mínimo, colocados em dúvida por essas empresas de consultoria e ou exportação.
‘‘As previsões se sucedem, não sabemos exatamente com que fim, mas fica claro que pretendem desmoralizar a Conab e o Ministério da Agricultura, que dá aval aos números da Conab’’, afirma Strnger.
No ano passado, a Apac entrou na Justiça contra a Unicafé e a FNP, que alegou ‘‘segredo empresarial’’ para justificar a omissão dos dados. Mas a Apac desconfia que o método não resiste a uma análise mais técnica. A sentença pode culminar com indenização aos produtores.
Mas, para a Apac, a condenação não interessa aos produtores, embora a determinaçãoda Justiça deva ser cumprida. O importante, segundo seu presidente, é impedir que se continue divulgando dados que falseiam a realidade do mercado, dão margem a especulação, e resultem em enormes prejuízos para a produção, sempre ressalvando que os produtores não são os únicos prejudicados, mas sim toda a economia do País. Na verdade, empresas que forjam números para derrubar preços estão jogando contra os interesses nacionais, segundo Strenger.
Segundo Strenger, o Conselho Nacional do Café, Osvaldo Henrique Paiva Ribeiro, foi firme quando disse que essas empresas quere somente desestabilizar o mercado.

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