A Associação Paranaense dos Cafeicultores (Apac) vai propor na segunda-feira, uma nova interpelação judicial na Vara da Justiça Federal, em Londrina, para exigir a apresentação da metodologia utilizada pela FNP Consultoria, com sede em São Paulo, responsável pela divulgação de um estimativa de 34,6 milhões de sacas para safra brasileira de café. O objetivo é ampliar os efeitos da liminar concedida pela Justiça Federal na semana passada que exigiu a Embrapa e a empresa Unicafé, de Vitória (ES) que detalhassem os métodos empregados em suas estimativas anuais sobre a safra cafeeira para avaliação da Apac no prazo de 15 dias.
O advogado contratado pela Apac, Carlos Alberto Farracha de Castro, informou que, em caso de não cumprimento dos prazos determinados pela Justiça, a entidade vai propor uma ação de exibição de documentos. ‘‘Nós queremos conhecer a metodologia e acompanhar os mecanismos de pesquisa’’, avaliou. Ele não descarta o pedido de multa diária durante o prazo de recusa. ‘‘Com estas garantias os cafeicultores não vão ficar na mão de especuladores’’, afirmou.
O presidente da Apac Ricardo Gonçalves Strenger disse que objetivo da entidade é tornar o mercado mais próximo da realidade do cafeicultor. O produtor esbarra em um mercado que vive em altos e baixos provocados por motivos alheios ao mercado, enfatizou. Ele explicou que as especulações provocam alterações que refletem no ganho do produtor e prejudicam a balança comercial brasileira.
Strenger sugere a consolidação ou criação de um instituto com credibilidade para definir uma estimativa anual. Segundo ele o instituto poderia estipular uma data anual em que uma estimativa oficial fosse divulgada. Este modelo seguiria os padrões norte americanos, em que o departamento de agricultura centraliza esta informação e divulga anualmente, explicou. Ele afirma que este recurso beneficia o mercado e permite que os cafeicultores realizem uma análise mais eficaz do mercado.
O consultor Lauro Kfouri Marino, da FNP Consultoria, explicou que as estimativas da empresa são amparadas em informações obtidas junto aos segmentos relacionados com a produção e comercialização de café. A pesquisa é realizada por meio de consultas aos produtores, cooperativas e exportadores. A partir destas impressões são realizadas visitas técnicas em algumas propriedades. A estimativa também leva em conta a avaliação dos dados fornecidos à Consultoria por colaboradores em todo o país. ôCruzamos os dados e divulgamos a estimativa baseada em informações de toda a cadeia cafeeira,# explicou.
Marino concorda com a Apac e assegura que no mercado internacional, na maioria das vezes, os números divulgados pelas instituições do País não tem credibilidade. ‘‘As disparidades entre as estimativas de organismos públicos e privados inviabilizam uma análise internacional’’, afirmou.
Ele concorda que a padronização das estimativas proporcionaria uma credibilidade mais acentuada às projeção nacional da safra cafeeira. ‘‘Esta informação poderia ser dada nos moldes da USDA e servir como referência para a avaliação do mercado’’, disse.

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