Imagem ilustrativa da imagem Aos poucos, títulos públicos caem no gosto do investidor



Embora ainda pouco representativo diante da população total do País, o número de brasileiros que passaram a investir em títulos da dívida pública cresceu muito nos últimos anos. Em março de 2018, a STN (Secretaria do Tesouro Nacional) contabilizava 591.034 investidores ativos. Em dezembro de 2015, eram apenas 233.945. Ou seja, houve um crescimento de 152%. Incluindo os inativos – pessoas que compraram títulos em algum momento, mas já os venderam -, o número de investidores cresceu mais de 3 vezes no período.

LEIA MAIS
Escolha a melhor opção

Nem mesmo nos piores momentos de crise houve redução do estoque de títulos nas mãos dos investidores do Tesouro Direto. Em dezembro de 2013, eles totalizavam R$ 11,3 bilhões. Chegaram ao mesmo mês de 2017 com R$ 48,4 bilhões. Houve uma pequena queda no estoque no início deste ano motivada, segundo o Tesouro, pelo vencimento de um título em janeiro. Mas o número de investidores continuou crescendo no primeiro trimestre de 2018.

A participação dos pequenos, que compram até R$ 1 mil em títulos, também é crescente. Eles eram 30,2% do total em 2013 e agora são 59,4%. O valor mínimo para se investir é R$ 30. "Temos observado fortemente esse movimento de democratização do investidor dentro do Tesouro Direto", afirma o gerente de Projetos da Secretaria do Tesouro Nacional, Paulo Moreira Marques.

Imagem ilustrativa da imagem Aos poucos, títulos públicos caem no gosto do investidor



Desde 2015, segundo ele, o governo tem realizado melhorias para atrair mais gente para os títulos públicos. "Mudamos o site, estabelecemos novos nomes para os títulos para que ficasse mais fácil de identificá-los. Fizemos app, lançamos simulador. E estabelecemos liquidez diária, ou seja, o investidor resgata o título quando quer", afirma.

O fato de os juros básicos da economia (taxa Selic) estarem num nível historicamente baixo - 6,5% ao ano – não interfere nas vendas dos títulos, segundo Marques. "O Tesouro é muito competitivo. Quando a taxa de juros cai, ela cai não só para o Tesouro Direto, mas para todos os produtos de renda fixa. E comparado com os outros, nós temos o menor risco do mercado", justifica.

O gerente diz que o governo busca incentivar a "autonomia" do investidor. "Hoje, ele consegue entrar sozinho no site, escolher o título mais adequando respondendo a três perguntas e comprar. Não precisa falar com gerente nem com consultor independente", alega. Marques ressalta que a taxa de custódia (0,3% ao ano) cobrada pelo Tesouro e o rendimento são os mesmos para os investidores de todos os portes. "Não interessa se tem R$ 30 ou R$ 1 milhão. É bem democrático."

A STN espera que a venda de títulos continue crescendo neste ano. "Nosso espaço para crescer é extremamente grande. É só olhar a participação da sociedade em outros produtos de renda fixa. Podemos crescer muitas vezes", garante.

mockup