Caxias do Sul - Com um faturamento estimado em R$ 1 bilhão para 2012, a Agrale comemora neste ano 50 anos de operação desafiando o mercado de máquinas e equipamentos que passa por um momento de estagnação. Fundada em 1962 em Caxias do Sul (RS), a empresa, que possui 100% de capital nacional, vive um momento de crescimento em um segmento que vem registrando queda nas vendas nos últimos tempos, como é o caso das máquinas agrícolas.
Mesmo assim, no segmento de tratores, a Agrale espera produzir neste ano 2,1 mil máquinas, 300 a mais do que o total produzido em 2011. ''O mercado agrícola vem precisando principalmente de tratores de média potência que variam de 60cv a 99cv'', afirma Flavio Alberto Crosa, diretor da área de vendas da Agrale. Outro mercado em que a empresa vem apostando é o de tratores de médio porte, com potências que variam de 100cv a 185cv. Hoje o Sul do País é um dos principais mercados da Agrale, principalmente porque concentra a maior porção de pequenos e médios produtores.
Questionado sobre a ''invasão'' de produtos chineses no mercado nacional, Crosa avalia que essa concorrência favorece a intensificação e melhoria da tecnologia nos equipamentos nacionais.
Investimentos em novos produtos na linha de tratores, caminhões, ônibus e veículos para uso militar devem proporcionar neste ano um crescimento de 12% para a companhia em relação a 2011. Hugo Domingos Zattera, diretor-presidente da empresa, afirma que para manter esse nível de crescimento, a Agrale investe anualmente 3% de seu faturamento em novos produtos. ''Porém, nos últimos dois anos esse valor foi maior devido à entrada do motor Euro 5 no mercado brasileiro, que obrigou a empresa a fazer as adequações principalmente na linha de caminhões'', observa o presidente da Agrale. Ele afirma que o primeiro semestre de 2012 não foi muito bom para o segmento de tratores, mas as vendas aqueceram nesse segundo semestre.
Linha Agrale
Exemplos recentes de investimentos da empresa é a nova linha de caminhões com design diferente, além dos veículos Agrale Marruá, voltados para uso militar. Outra novidade é o ônibus 4x4 voltado para o transporte escolar, fornecido para o programa Caminhos da Escola, do Governo Federal. Para dar conta dessa expansão, a Agrale está investindo R$ 9 milhões na ampliação da unidade 2 da fábrica de Caxias do Sul e R$ 1 milhão na unidade 3, voltada para a fabricação dos veículos Marruá.
Segundo Zattera, programas governamentais como o Mais Alimentos, voltados para a aquisição de pequenos e médios tratores, o PAC 2 e as Patrulhas Rurais são os principais mitigadores da ampliação de mercado do setor de máquinas e equipamentos. No Mais Alimentos, por exemplo, o presidente da Agrale lembra que em 2009 e 2010 o programa representou 50% das vendas de tratores da empresa. Hoje essa participação é de 30%.
Empresa
A Agrale iniciou suas atividades com a fabricação de microtratores de duas rodas. A empresa é líder do grupo Francisco Stedile, que engloba também as empresas Agritech Lavrale S.A, Germani Alimentos, Germani Cereais, Fundituba e Fazenda Três Rios. A Agrale ainda possui as subsidiárias Agrale Montadora, Agrale Argentina, Agrale Comercial e Lintec.
* O jornalista viajou a Caxias do Sul a convite da Agrale

mockup