Levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) comprova que as exportações do Paraná para a China estão atreladas, principalmente, ao complexo soja, que corresponde a 87%. Outros produtos vendidos aos chineses são açúcar, papel e carne que, juntos, somam mais 9%. No caminho inverso, de tudo que o Brasil importa, 40% é de componentes e insumos eletrônicos. ''Este é um dos pontos que especialistas usam como base de suas críticas, já que a ida de matéria-prima e a vinda de produtos industrializados representa desvantagem de valor agregado'', comentou o presidente do Ipardes, Gilmar Mendes Lourenço.
Mas, para ele, o Brasil está no caminho certo e a ideia de que exportar apenas produtos de maior valor agregado deve ser relativizada. ''O País tem que continuar a exportar soja e muita soja. Os produtos primários estão valorizados no mercado internacional justamente por causa da China. Ela não é nosso problema. O que atrapalha o fluxo comercial não é o tipo de produto, mas a taxa de câmbio que valoriza o real. Inclusive, o prejuízo vem sendo compensado pela demanda do país asiático. Temos que pensar em âmbito macroeconômico.''
Paraná na economia nacional
Independente deste perfil, de acordo com Lourenço, o Governo tem trabalhado na Política de Desenvolvimento Produtivo (PDT), para definir os setores que precisam ser incentivados com enfoque na modernização da tecnologia industrial. ''Os projetos são para intensificar o agronegócio com estímulo ao segmento cooperativista, bem como à profissionalização dos pequenos agricultores. Aumentar a integração regional da indústria metal mecânica e otimizar os Arranjos Produtivos Locais (APLs), para fortalcer a vocação de empreendedorismo e inovação'', resumiu.
O presidente do Ipardes disse que estes incentivos são necessários para alavancar a economia paranaense. ''Na última década o Paraná deixou de crescer em comparação ao Brasil. Enquanto o País registrou crescimento de 4% ao ano, de 2003 a 2010, o Estado ficou na casa dos 3,6%. Nossa participação no PIB caiu de 6,4% em 2003, para 6% no ano passado. Além disso, as exportações do Paraná, que representavam 10% do total, não passou de 7% em 2010'', contabilizou. Por isso, ele defendeu a atração de investimentos para que o Estado consiga diversificar sua estrutura produtiva.

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