Os economistas afirmam que 2018 deverá fechar com saldo positivo, mas será uma geração de emprego tímida, que não deve recuperar as perdas dos últimos três anos. A revisão de crescimento da economia de 3% para 1,5% frustrou o mercado, mas na avaliação do consultor econômico Cid Cordeiro Silva, os dados de janeiro a agosto mostram uma alta de 1,72% na formalidade. "Acredito que o emprego em 2018 deve ficar no patamar de alta de 1,5% a 2%", analisou o consultor.

O cozinheiro Alisson José Barbosa Souza, 19, foi contratado em julho deste ano, depois de quase três meses desempregado. "Foi bem complicado, me candidatava às vagas do Sine e agências de emprego. Foi desgastante. Raramente era chamado para entrevistas", contou.
"Notei que quando eu era mais novo, tudo se resumia a ter um curso superior. Agora, há muitos profissionais, só que as vagas não atendem a demanda", constatou.

De acordo com os economistas, uma recuperação mais robusta de emprego só acontecerá quando o mercado tiver mais segurança sobre as políticas públicas dos novos governos. "A sinalização é de medidas para apertar os cintos e sem uma forte retomada de investimentos e de obras paradas, dificilmente o governo vai retomar o crescimento e a questão fiscal", ressaltou Sandro Silva, economista e supervisor técnico do Dieese ((Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

O consultor econômico Cid Cordeiro Silva enfatizou que "se gera emprego quando se tem incentivo para os setores que geram mais mão de obra como construção civil e indústria. Os outros setores são puxados por isso. Eles são chaves. A geração também ocorre quando você melhora renda e amplia crédito", afirmou.

Para o presidente da Fiep (Federação da Indústria do Estado do Paraná), Edson Campagnolo, ao novo governo do Estado compete instalar um ambiente de sustentabilidade econômica e atração de empresas. "A política do governo (estadual) era de ajuste fiscal, com aumento de alíquota de ICMS penalizando o setor produtivo. Ao novo governo compete um novo ambiente", disse.

O G7, grupo de entidades representativas do setor produtivo paranaense - Fecomércio PR, Faep, Fiep, Fecoopar, Faciap, Fetranspar e ACP -, entregou aos, então candidatos ao governo do Estado, um plano de políticas estratégicas para o desenvolvimento do Paraná. Entre as ações para geração de emprego estão realizar parcerias entre as entidades do Sistema "S", universidades estaduais e Secretaria da Educação para implantação de programas de trainee e qualificação de pessoas; envolver o Ministério Público do Trabalho, a Secretaria estadual do Trabalho e agências de emprego na criação de programas de capacitação para as pessoas que procuram as agências de emprego e, assim, prepará-las para as vagas que o mercado oferta; e revitalizar o Conselho Estadual do Trabalho para debate de ações de qualificação profissional.

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