'Ao novo governo compete um novo ambiente'
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quinta-feira, 18 de outubro de 2018
Aline Machado Parodi 
Os economistas afirmam que 2018 deverá fechar com saldo positivo, mas será uma geração de emprego tímida, que não deve recuperar as perdas dos últimos três anos. A revisão de crescimento da economia de 3% para 1,5% frustrou o mercado, mas na avaliação do consultor econômico Cid Cordeiro Silva, os dados de janeiro a agosto mostram uma alta de 1,72% na formalidade. "Acredito que o emprego em 2018 deve ficar no patamar de alta de 1,5% a 2%", analisou o consultor.
O cozinheiro Alisson José Barbosa Souza, 19, foi contratado em julho deste ano, depois de quase três meses desempregado. "Foi bem complicado, me candidatava às vagas do Sine e agências de emprego. Foi desgastante. Raramente era chamado para entrevistas", contou.
"Notei que quando eu era mais novo, tudo se resumia a ter um curso superior. Agora, há muitos profissionais, só que as vagas não atendem a demanda", constatou.
De acordo com os economistas, uma recuperação mais robusta de emprego só acontecerá quando o mercado tiver mais segurança sobre as políticas públicas dos novos governos. "A sinalização é de medidas para apertar os cintos e sem uma forte retomada de investimentos e de obras paradas, dificilmente o governo vai retomar o crescimento e a questão fiscal", ressaltou Sandro Silva, economista e supervisor técnico do Dieese ((Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
O consultor econômico Cid Cordeiro Silva enfatizou que "se gera emprego quando se tem incentivo para os setores que geram mais mão de obra como construção civil e indústria. Os outros setores são puxados por isso. Eles são chaves. A geração também ocorre quando você melhora renda e amplia crédito", afirmou.
Para o presidente da Fiep (Federação da Indústria do Estado do Paraná), Edson Campagnolo, ao novo governo do Estado compete instalar um ambiente de sustentabilidade econômica e atração de empresas. "A política do governo (estadual) era de ajuste fiscal, com aumento de alíquota de ICMS penalizando o setor produtivo. Ao novo governo compete um novo ambiente", disse.
O G7, grupo de entidades representativas do setor produtivo paranaense - Fecomércio PR, Faep, Fiep, Fecoopar, Faciap, Fetranspar e ACP -, entregou aos, então candidatos ao governo do Estado, um plano de políticas estratégicas para o desenvolvimento do Paraná. Entre as ações para geração de emprego estão realizar parcerias entre as entidades do Sistema "S", universidades estaduais e Secretaria da Educação para implantação de programas de trainee e qualificação de pessoas; envolver o Ministério Público do Trabalho, a Secretaria estadual do Trabalho e agências de emprego na criação de programas de capacitação para as pessoas que procuram as agências de emprego e, assim, prepará-las para as vagas que o mercado oferta; e revitalizar o Conselho Estadual do Trabalho para debate de ações de qualificação profissional.


