Brasília Uma decisão sobre a liberação do herbicida glifosato como pós-emergente (depois que as plantas brotarem) nas lavouras de soja geneticamente modificada deve ser tomada na próxima semana. Está prevista para a quarta-feira a divulgação do parecer final da diretoria de alimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre os níveis aceitáveis de resíduos de glifosato nos alimentos.
O parecer dos técnicos da diretoria será feito com base nas sugestões encaminhadas por órgãos públicos e pela iniciativa privada à Anvisa. Aberto por dez dias, o prazo para consulta pública terminou ontem. A proposta dos técnicos da agência é de que os limites aceitáveis de resíduos de glifosato sejam de 10 miligramas por quilo (o que significa 10 partes por milhão, na linguagem técnica), como informa a consulta pública número 84, publicada no ''Diário Oficial da União'' do dia 4 de novembro. Após definir o porcentual, a agência encaminhará ao Ministério da Agricultura informe de classificação toxicológica.
Caberá ao ministério fazer o registro ou não do glifosato como pós-emergente. O uso desse herbicida é autorizado no País na pré-emergência, ou seja, antes da germinação das sementes de soja. Sem a liberação como pós-emergente, o produtor não tem vantagem em plantar semente de soja geneticamente modificada, argumentam ruralistas.
Para técnicos do Ministério da Agricultura, se for mantida a proibição ao uso do glifosato como pós-emergente, os produtores que cultivaram sementes transgênicas não perderão as lavouras, pois há outros produtos autorizados. Mas o uso desses pós-emergente tiraria a competitividade das sementes transgênicas, pelo custo superior ao do glifosato.

mockup