Anvisa alerta para o uso inadequado de medicamentos
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sexta-feira, 13 de julho de 2007
Da Redação 
Febre, dor de cabeça, dor no corpo... Quando estes sintomas aparecem, comuns à maioria das doenças, muitos brasileiros têm o hábito de ''correr à farmácia mais próxima''. Este comportamento - que parece simples, mas pode tornar-se perigoso - é reforçado pela indicação de um medicamento por um amigo, a vontade de livrar-se rapidamente do incômodo da dor e a facilidade de se comprar alguns remédios sem receita médica ou odontológica. Uma das consequências mais frequentes de atitudes como essas são a intoxicação pelo uso inadequado de medicamentos.
''O medicamento, se utilizado de forma inadequada, pode causar mais danos do que benefícios'', alerta o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dirceu Raposo de Mello. O uso indevido de remédios é considerado um problema de saúde pública não só no Brasil, mas mundialmente. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que o percentual de internações hospitalares provocadas por reações adversas a medicamentos ultrapassa 10%.
De acordo com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), só em 2003, os medicamentos foram responsáveis por 28,2% dos casos de intoxicação registrados no País. Os analgésicos, antitérmicos e antiinflamatórios são os mais usados pela população sem o atendimento às recomendações médicas. Por isso, são também os que causam mais intoxicação.
''Quando o paciente recebe atendimento médico ou assistência farmacêutica (orientações do profissional farmacêutico), ele é informado sobre os riscos que o uso irracional (inadequado) de medicamentos pode causar'', explica Mello. Consumir medicamentos de forma inadequada ou usá-lo de forma irracional também pode causar dependência, reações alérgicas e até a morte.
Além disso, a combinação errada de medicamentos diferentes também oferece riscos à sa© úde, já que um medicamento pode anular ou potencializar o efeito do outro. ''A automedicação leva ao agravamento da doença, já que a utilização inadequada de medicamentos pode esconder determinados sintomas e fazer com que a doença evolua de forma mais grave'', observa o diretor-presidente da Anvisa.
Educação sanitária O governo federal, por meio da Anvisa (criada em 1999), desenvolve diversas medidas voltadas à promoção do uso correto de medicamentos. Uma delas é o Projeto de Monitoração de Propaganda de Produtos Sujeitos à Vigilância Sanitária, cuja terceira fase foi lançada em junho, resultado de uma parceria entre a Anvisa e instituições de ensino superior (Ifes) de todas as regiões do País. O objetivo do projeto é analisar as propagandas de medicamentos que, muitas vezes, tornam-se um dos principais meios de incentivo ao uso irracional de medicamentos.
Até dezembro deste ano, as Ifes ficarão responsáveis pela monitoração da propaganda publicitária de medicamentos, alimentos e produtos para saúde feita por 250 diferentes veículos de comunicação.
As peças monitoradas serão submetidas à Anvisa para análise e possível aplicação de medidas legais cabíveis em casos de inadequações à legislação atual. O projeto prevê ainda ações educativas sobre a propaganda de produtos sujeitos à vigilância sanitária.


