Brasília
O anúncio sobre a retomada do Proálcool pegou de surpresa a área econômica do governo. O assunto vem sendo discutido há pelo menos dois anos, mas os técnicos ainda não tinham elaborado nenhuma proposta concreta. ‘‘Pelo visto, houve decisão em torno de alguns pontos’’, comentou um técnico do Ministério da Fazenda.
O técnico explicou que, no caso das frotas oficiais, por exemplo, havia dúvidas sobre se a medida se aplicaria somente ao governo federal ou se atingiria também as administrações estaduais e municipais. ‘‘Agora, sabemos que será para o governo federal, mas os estados e municípios serão incentivados a aderir’’, disse ele.
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros, disse que nada sabia sobre a retomada do Proálcool. Ele comentou ainda que a idéia de dar prazos mais longos para os consórcios de carros populares a álcool não teria impacto importante sobre o consumo.
Já o secretário de Acompanhamento Econômico, Bolívar Moura Rocha, que conduz os estudos para a eliminação dos subsídios na formação dos preços dos combustíveis, lembrou que o governo vem dialogando com os produtores de álcool desde 1996. ‘‘O compromisso do Executivo com o Programa Nacional do Álcool nunca esmoreceu’’, disse ele. ‘‘O presidente Fernando Henrique Cardoso já reiterou em oportunidades anteriores a importância do Proálcool que, inclusive, consta de seu programa de governo.’’ Mas Fernando Henrique negou, ontem mesmo, a volta do Proálcool (leia nesta página).
Rocha disse que as conversas com os produtores de açúcar e álcool já tiveram resultados concretos, como a desregulamentação do comércio do álcool anidro (que é misturado à gasolina). No ano que vem, a liberdade de comercialização atingirá também o álcool hidratado.
Segundo Rocha, a preocupação do governo com o Proálcool tem duas dimensões: a econômica e social, pelos empregos gerados pela indústria; e a energética. Ele lembrou que o Proálcool foi desenvolvido pelo governo para fazer frente às crises de abastecimento de petróleo e constitui uma fonte alternativa de energia a médio e longo prazo.’’

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