Das agências
  Brasília - O porta-voz da Presidência da República, André Singer, anunciou ontem que o pacote de medidas para acelerar o crescimento do país só será apresentado ao país no início de janeiro. O anúncio do pacote estava previsto para hoje, quando também seria apresentado ao conselho político de governo, composto pelos partidos de base de apoio.
  ‘‘O presidente ficou muito satisfeito com o resultado do trabalho, no entanto, entendeu que são necessários alguns detalhamentos em torno dos projetos que vão ser anunciados ao país’’, disse André Singer, ao falar com a imprensa.
  Lula tomou a decisão depois de reunir, por várias horas, com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, Paulo Bernardo (Planejamento) , Dilma Rousseff (Casa Civil) , Luiz Marinho (Trabalho), Nelson Machado (Previdência Social), e da Secretaria Geral da Presidência da Republica, Luiz Dulci, e ser informado sobre o andamento dos trabalhos referentes ao assunto.
  André Singer anunciou ainda que o presidente Lula passará o Natal em São Paulo, mas que a partir do dia 26 de dezembro estará em Brasília para dar continuidade à preparação do pacote de medidas econômicas.

  Repercussão - Entre um pacote mal embrulhado antes do Natal e outro mais bem acabado em janeiro, representantes da indústria e do setor financeiro ficam com a segunda opção. ‘‘É melhor não anunciar nada agora do que frustrar expectativas ou adotar medidas que não tenham efeito sobre o crescimento’’, diz Armando Monteiro Neto, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
  Para Gabriel Jorge Ferreira, presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), ‘‘é positivo que se avaliem bem as medidas a serem adotadas, pois, se de um lado há a pretensão justa de alguns setores, de outro existem dificuldades orçamentárias que têm de ser consideradas.’’ Ferreira se refere ao embate entre lideranças sindicais e a Fazenda em torno do aumento do salário mínimo.
  As dificuldades em definir medidas fiscais e tributárias para estimular o crescimento - que provocaram adiamento do pacote - são ‘‘naturais’’, diz o presidente da CNF. ‘‘Cortar gastos sempre é muito ruim e desagrada às pessoas. Mas a realidade é que chegamos a uma situação em que a carga tributária não tem mais como crescer para fazer frente aos gastos públicos’’, diz Ferreira.
  Monteiro, da CNI, diz que a indústria aguarda uma série de medidas que, além de conter a explosão do gasto público, estimulem o investimento do setor privado. ‘‘Esperamos uma ampla desoneração do investimento produtivo e uma sinalização dos projetos de infra-estrutura que terão prioridade.’’

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