Anúncio de pacote do crescimento é adiado
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quinta-feira, 21 de dezembro de 2006
Das agências 
Das agências
Brasília - O porta-voz da Presidência da República, André Singer, anunciou ontem que o pacote de medidas para acelerar o crescimento do país só será apresentado ao país no início de janeiro. O anúncio do pacote estava previsto para hoje, quando também seria apresentado ao conselho político de governo, composto pelos partidos de base de apoio.
O presidente ficou muito satisfeito com o resultado do trabalho, no entanto, entendeu que são necessários alguns detalhamentos em torno dos projetos que vão ser anunciados ao país, disse André Singer, ao falar com a imprensa.
Lula tomou a decisão depois de reunir, por várias horas, com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, Paulo Bernardo (Planejamento) , Dilma Rousseff (Casa Civil) , Luiz Marinho (Trabalho), Nelson Machado (Previdência Social), e da Secretaria Geral da Presidência da Republica, Luiz Dulci, e ser informado sobre o andamento dos trabalhos referentes ao assunto.
André Singer anunciou ainda que o presidente Lula passará o Natal em São Paulo, mas que a partir do dia 26 de dezembro estará em Brasília para dar continuidade à preparação do pacote de medidas econômicas.
Repercussão - Entre um pacote mal embrulhado antes do Natal e outro mais bem acabado em janeiro, representantes da indústria e do setor financeiro ficam com a segunda opção. É melhor não anunciar nada agora do que frustrar expectativas ou adotar medidas que não tenham efeito sobre o crescimento, diz Armando Monteiro Neto, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Para Gabriel Jorge Ferreira, presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), é positivo que se avaliem bem as medidas a serem adotadas, pois, se de um lado há a pretensão justa de alguns setores, de outro existem dificuldades orçamentárias que têm de ser consideradas. Ferreira se refere ao embate entre lideranças sindicais e a Fazenda em torno do aumento do salário mínimo.
As dificuldades em definir medidas fiscais e tributárias para estimular o crescimento - que provocaram adiamento do pacote - são naturais, diz o presidente da CNF. Cortar gastos sempre é muito ruim e desagrada às pessoas. Mas a realidade é que chegamos a uma situação em que a carga tributária não tem mais como crescer para fazer frente aos gastos públicos, diz Ferreira.
Monteiro, da CNI, diz que a indústria aguarda uma série de medidas que, além de conter a explosão do gasto público, estimulem o investimento do setor privado. Esperamos uma ampla desoneração do investimento produtivo e uma sinalização dos projetos de infra-estrutura que terão prioridade.


