O Crea do Paraná anulou a avaliação de 1.763 imóveis do banco Bamerindus, em liquidação desde 1997. Esses bens – alguns já vendidos, outros em negociação – podem valer mais de R$ 1 bilhão, a julgar pelos preços por que foram alienados. O trabalho de avaliação foi feito pela empresa Bolsa de Imóveis de São Paulo e seus técnicos, que não têm registro no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) paulista nem no paranaense.
Pelos laudos de avaliação, a Bolsa de Imóveis recebeu R$ 820 mil entre 1997 e 1998. ‘‘Realmente não temos registro no Crea, mas nossos laudos nunca foram contestados’’, disse o diretor da empresa, Antônio Eugênio Figueiredo.
Segundo ele, as avaliações feitas pela Bolsa de Imóveis têm apenas o valor de ‘‘um laudo de corretor de imóveis’’. ‘‘Não fazemos avaliações judiciais’’, reconheceu.
Na opinião do engenheiro José Manoel Hernandes Filho, vice-presidente do Crea do Paraná, as avaliações descumpriram o artigo 15 da lei 5.194, que regulamenta as atividades de engenharia. ‘‘São nulos de pleno direito os contratos referentes a qualquer ramo da engenharia quando firmados com pessoa física ou jurídica não legalmente habilitada’’.
No sistema financeiro, é comum a contratação de engenheiros para a avaliação de imóveis a serem financiados. Em documento firmado em 25 do mês passado, Hernandes Filho declarou nulas as 1.763 avaliações feitas para o Bamerindus por Carla Ponzio de Feo e Paul Weeks, funcionários da Bolsa de Imóveis.
Em Londrina, o ex-ministro e ex-controlador do Bamerindus, José Eduardo Andrade Vieira, disse que há muitas outras operações ilegalmente realizadas por alguns interventores ‘‘e medidas como essa, certamente, contribuirão para esclarecê-las’’.

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