MERCADO EM BAIXATrabalhador está perdendo emprego e rendaSÃO PAULO - As condições do mercado de trabalho na grande São Paulo pioraram muito no ano passado, segundo o Anuário dos Trabalhadores 96/97 elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). As demissões cresceram, as empresas eliminaram mais postos de trabalho, a concentração de renda aumentou e os rendimentos médios dos trabalhadores caíram. ‘‘Houve uma inversão do que ocorreu entre agosto de 94, logo após a criação do Real, e abril de 95’’, comenta o economista do Dieese, Antônio Prado.
O retrocesso no mercado de trabalho, explica o economista, pode ser constatado no comportamento de alguns indicadores. Além da taxa de desemprego ter saltado de 13,2% em dezembro de 1995 para 15,1% em igual mês de 1996, o desempregado passou a levar mais tempo para arrumar um novo trabalho.
No ano passado, quem perdia o emprego levava em média 24 semanas para se colocar novamente no mercado. Um ano antes, essa média era de 22 semanas. ‘‘Levando em consideração que o seguro-desemprego é suficiente para três meses, 24 semanas é muito tempo’’, ressaltou.
Outro indicativo de que as condições do mercado de trabalho ficaram mais precárias é a redução dos postos de trabalho especialmente na indústria. Ao longo de 95, as fábricas abriram 30 mil vagas. No ano passado, demitiram 105 mil. ‘‘As condições do trabalhador na indústria são as melhores e a redução da oferta de emprego nesse setor provoca uma precarização do mercado’’, ressalta.
O Anuário do Dieese mostra ainda que o rendimento médio dos empregados cresceu depois da criação do Real. Em agosto de 1994, dois meses depois que o País trocou de moeda, o rendimento médio do trabalhador alcançou um índice de 0,5100. Caiu um pouco, logo em seguida, mas se manteve em 0,5000 em média entre janeiro e abril de 95. A partir daí, caiu.
‘‘Isso mostra que o discurso do presidente Fernando Henrique sobre aumento da renda é correto, mas só até maio de 95’’, avalia Prado. A pesquisa mostra ainda que o emprego, ao contrário do que afirmam autoridades, é decorrente da política econômica. As condições são ruins e devem continuar assim pelo menos nos próximos três anos. ‘‘Para melhorar, é preciso um crescimento econômico de pelo menos 6% ao ano, quase o dobro da média prevista para este ano’’, lembra o economista.
A longo prazo, no entanto, as previsões são otimistas. Se os planos do governo se concretizarem e os investimentos externos crescerem, a situação, na sua opinião, deve mudar. A taxa de investimento, principal indicativo de que a economia está numa trajetória de crescimento sustentado, ficou em 15,4% em 1995. O Anuário ainda não tem dados de 1996.

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