Antigo camelô
acha que classe
precisa se unir
Ney de SouzaNascimento: ‘peso da idade’Um dos mais velhos camelôs de Foz do Iguaçu já foi sacoleiro, ‘‘laranja’’ e também pedreiro, profissão que exerceu durante 20 anos. Diferente de outros entrevistados, João Ferreira do Nascimento, 54 anos, é mestre-de-obras e teve carteira assinada por muitos anos. Mas a dificuldade para conseguir emprego durante a crise que assolou o Brasil no final dos anos 80 (a conhecida Era Collor), somada ao peso da idade, forçou o mestre-de-obras a procurar o mercado informal.
Depois de viver anos passando mercadoria pela fronteira, ele decidiu montar uma banca no bairro próximo à Ponte da Amizade, onde vendia de tudo. ‘‘Depois disso parei de vez e hoje só vendo hortaliça. Mesmo assim, continuo ajudando o pessoal’’, contou Nascimento, referindo-se aos pacotes de cigarro trazidos pelos amigos, que ele esconde da fiscalização da Receita Federal.
Questionado sobre as novas medidas, o pedreiro criticou o governo federal, dizendo que os últimos presidentes nunca se preocuparam em criar mais emprego para a população. Mesmo assim, ele não poupou os colegas. ‘‘Falta mais união do pessoal que trabalha com mercadoria paraguaia. Mas também eu entendo o medo que eles têm de encarar os achacadores’’, finalizou. (E.D)