Antecipar restituição do IR exige cuidados
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quinta-feira, 15 de abril de 2010
Gisele Mendonça<br> Reportagem Local 
A Receita Federal fixou ontem as datas da liberação dos sete lotes de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física de 2010. O primeiro lote será liberado em 15 de junho e o último em 15 de dezembro. Ao mesmo tempo, os bancos já disponibilizam a antecipação do crédito do IR, com taxas de juros que giram em torno de 3% ao mês. Os economistas, porém, recomendam cautela e só aconselham a antecipação do dinheiro para pagamento de dívidas com juros superiores a esse percentual.
''Caso contrário, é um péssimo negócio. Não recomendo nem para inimigo'', defende Renato Pianowski de Moraes, professor do curso de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele diz que a antecipação vale a pena para quitar dívidas com cartão de crédito ou cheque especial, cujos juros ficam acima de 8%. Para antecipar consumo, avalia o economista, a medida pode fazer a pessoa se endividar. ''Quem recorre a isso geralmente é aquele que não tem controle sobre seus gastos e acaba indo parar nos Devedores Anônimos'', repara.
Para o consultor de finanças pessoais Charles Vezozzo, diretor geral da Pontifícia Universidade Católica (PUCPR), em Londrina, a antecipação do crédito para se livrar de dívidas com juros altos é uma questão de bom-senso. ''Você deixa de pagar juros altos para pagar em torno de 3%''. Ele pondera, no entanto, que o empréstimo também pode ser avaliado em outros casos, mas sempre com cautela. ''Tem que ver o que é prioridade e fazer as contas de quanto você terá de retorno'', observa. ''É preciso levar em conta também que a restituição é corrigida pela Selic, que é a taxa referência do mercado, e que não é ruim''.
Independentemente de antecipar o crédito, Vezozzo destaca que a restituição do IR é um recurso que pode fazer diferença na vida do contribuinte desde que bem utilizado. ''Infelizmente, há muitos casos de pessoas utilizando a restituição de forma errada. Geralmente, são pessoas que têm dificuldade para poupar e compulsão por consumo'', diz o economista.
O próprio Vezozzo é exemplo para quem quer aprender a empregar bem o dinheiro. Ele, que ministra palestras sobre finanças pessoais, conta que tem o hábito de planejar o uso da restituição, levando em conta as prioridades da família. No ano passado, a família fez uma viagem para os Estados Unidos depois de poupar durante três anos. ''Todo mundo se empenhou, inclusive minha filha caçula colocando dinheiro no cofrinho. Juntamos a poupança à restituição e realizamos um sonho'', conta. Neste ano, a restituição deve ser empregada numa nova viagem. ''Nem todo ano tenho restituição, mas quando tenho programo. Uma vez, investi o dinheiro na manutenção completa do carro para não precisar trocá-lo naquele ano'', afirma.
Bancos
A maioria dos bancos públicos ou privados oferece linha de crédito para antecipar a restituição. As taxas variam conforme a instituição. A dívida deve ser quitada quando o cliente receber a restituição ou no vencimento da operação. (Com agências)


