As indústrias de máquinas e implementos agrícolas estão com uma dor de cabeça que lateja levemente, mas já começa a incomodar: a possível variação da taxa de juros na comercialização dos equipamentos. O mercado especula um aumento de 7,5% para 9,5% no mês de junho. Para tentar driblar este cenário, as empresas trabalham com a antecipação das vendas para o primeiro semestre, o que deve movimentar os estandes das marcas que estarão na 56ª edição da ExpoLondrina, que começa amanhã e segue até o dia 17 de abril. Segundo proprietários e gerentes das concessionárias e empresas do segmento, o clima é de cautela, mas existe a expectativa de que este fator faça com que os produtores prospectem e agilizem o fechamento de negócios.
A diretoria da Sociedade Rural do Paraná (SRP), organizadora da ExpoLondrina, espera pelo menos atingir a marca dos 562 mil visitantes do ano passado, quando fechou com um movimento global de R$ 473,3 milhões. As marcas apostam em condições especiais e lançamentos para atrair os clientes do campo.
O diretor comercial da New Agro, que trabalha com equipamentos da New Holland, Mario Antônio Garibaldi Filho, admite que o mercado deu uma retraída e que a feira de Londrina acaba servindo como termômetro para os eventos que estão por vir. "Um ponto positivo é que o ano não começou ruim nas vendas para nós. A preocupação é que as linhas de crédito para os equipamentos agrícolas seguem a dos caminhões, segmento que já sofreu com um aumento. Vamos bater nesta tecla do produtor fechar o negócio o quanto antes, para evitar essa possível variação da taxa. Chegaremos com descontos diferenciados. Ano passado, pelo menos conseguimos fechar os custos da feira, o que não aconteceu no evento de Maringá. Não deveremos expor lá este ano", complementa.
Já o proprietário da Horizon, da marca John Deere, Martin Stremlow, comenta que o mercado está com o pé no freio, já que alguns produtores sofreram com a quebra de safra da soja devido às chuvas na região. "Estou bastante cauteloso com as vendas deste ano na Expo. Mas um ponto positivo é que o produtor planta anualmente e necessita da inovação em máquinas agrícolas, buscando maior eficiência e se tornando mais competitivo no mercado. Sem dúvida, nosso estande vai estar movimentado. Agora, se vamos fechar negócio, é outra história".
O funcionário administrativo da DHL, que foca na marca de equipamentos Valtra, Jorge Lacerda Junior, diz que a concessionária trará preços diferenciados à feira. "Fizemos um investimento pesado na compra de maquinários. Vamos focar nos tratores pesados e tentar vender pelo menos 30 unidades, quase 30% a mais do que ano passado. Em 2015 tivemos retração de 50% na feira e este ano buscamos uma recuperação. Como a taxa de juros pode subir no meio do ano, consideramos possível fechar negócios neste momento".

Implementos
No setor de implementos e ferramentas, o proprietário da Dismafe, Luiz Carlos Eusébio, garante que está animado com a Expo. "Participamos do evento há quase 20 anos e sempre temos um bom retorno. Neste momento de arrefecimento econômico, o setor do agronegócio é o único que tem puxado nossas vendas. De outubro para cá, a vendas das roçadeiras, por exemplo, estão bem interessantes. Esperamos crescer pelo menos 15% em comparação à feira de 2015".

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