As contas do conjunto do setor público (governo federal, estados, municípios e empresas estatais) agravaram-se em julho, com a decisão do governo de antecipar o pagamento da primeira parcela do 13º ao funcionalismo público. A despesa adicional provocou um déficit primário (receita menos despesa) de R$ 1,15 bilhão, o pior resultado desde junho do ano passado.
Considerando o período de 12 meses encerrados em julho, no entanto, as contas do setor público, ainda no conceito primário, foram superavitárias. Mas o resultado positivo de R$ 3,6 bilhões - correspondente a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB) - ficou abaixo dos R$ 4,7 bilhões de julho, que representou 0,57% do PIB.
Na avaliação do chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, as perspectivas para o segundo semestre, quando deverão ser arrecadados mais recursos com a concessão da banda B da telefonia celular, são de retomar a tendência de melhora nas contas do setor público. Em agosto, por exemplo, já foram R$ 1,4 bilhões só da banda B. A meta do governo é fechar o ano com o superávit primário de 1,5% do PIB. ‘‘Esta meta é perfeitamente factível’’, afirmou Lopes.
Nos conceitos nominal (que inclui juros nominais) e operacional (considera juros reais), o déficit mensal coincidiu em R$ 4,6 bilhões. Segundo explicou o chefe do Depec, outro impacto nas contas públicas em julho foi gerado pelo empréstimo de R$ 500 milhões que o BNDES fez ao governo de Minas Gerais a título de antecipação de privatização. ‘‘Quando Minas pagar, diminui a dívida’’, ressaltou.
Preocupou o governo, no entanto, o agravamento do déficit operacional que saltou de 3,08% para 3,29%. A ironia é que a piora deste déficit é gerada, diretamente, pela queda da inflação. À medida que os índices de preços caem e, ao mesmo tempo, as taxas de juros mantêm-se inalteradas - ou até sobem -, aumenta a parcela dos juros que excedem a inflação.

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