Antecipação das teles eleva reservas para US$ 48 bilhões
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de outubro de 1998
Agência Estado 
Depois de dois meses, o Banco Central fez ontem o primeiro leilão de compra de dólares neste período de crise e, segundo a chefe do Departamento de Operação das Reservas Internacionais (Depin), Maria do Socorro Carvalho, as reservas internacionais subiram de US$ 45 bilhões para o patamar de US$ 48 bilhões.
Feliz, a chefe do Depin salientou ainda a vantagem do BC ter comprado os dólares pelo preço mínimo. Compramos no piso, comemorou. Ela confirmou que os dólares comprados são referentes à antecipação de US$ 3,8 bilhões do pagamento do Sistema Telebrás.
Os números de reserva informados pela chefe do Depin, no entanto, são pelo conceito de liquidez internacional, que inclui créditos a receber. Em caixa, as reservas são US$ 800 milhões menores, explicou.
Embora Maria do Socorro considere que o leilão de ontem foi um sinal positivo e indicativo de que os piores efeitos da crise no Brasil já passaram, a chefe do Depin destacou, no entanto, que o cenário internacional ainda é preocupante. O que causa preocupação, segundo ela, é a situação de alguns bancos internacionais que, no momento, estão com problemas de liquidez. Isso depois deles terem financiado os chamados hedge funds.
Muito agressivos, estes fundos fizeram grandes aplicações em papéis de dívida externa. Como os C-Bonds, por exemplo. Com a queda do preço destes papéis durante a crise, os fundos tiveram perdas e provocaram prejuízos às instituições financeiras.
Na avaliação da chefe do Depin, a tensão do mercado internacional comprova que a crise deixou de ser só dos países emergentes e acabou por envolver os países ricos. O problema não é só nosso, estamos todos no mesmo barco, disse. Diante deste quadro, ela acredita que estes países vão ter que estruturar medidas. E rápido.
Segundo analisa, não é preciso injetar recursos no Brasil ou outros países, mas apenas disponibilizar este dinheiro. O que vai ser feito e como vai ser feito, tem que ser discutido, afirmou. Mas o fato de disponibilizar os recursos, acredita, seria uma forma de ajudar a reconstrução da credibilidade do Brasil e de outros emergentes.
Além de recuperar os fluxos e torná-los positivos, outro resultado imediato da volta dos investimentos externos seria a recuperação do preço dos papéis de dívida. Consequentemente, acredita, haveria a redução do prejuízo dos fundos e dos bancos internacionais.


