Ante pressão por retomada da economia, Copom corta Selic para 13% ao ano
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
Agência Estado 
Brasília Em meio à pressão política que exige ação para ajudar na retomada da economia, o Banco Central acelerou o ritmo de corte do juro básico da economia. Os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiram, por unanimidade, reduzir a taxa Selic em 0,75 ponto porcentual, de 13,75% para 13% ao ano. O corte surpreende a maioria dos economistas, que previam redução de 0,50 ponto, e indica intensificação da ação do BC já que nos dois encontros anteriores o BC havia diminuído a taxa em apenas 0,25 ponto porcentual.
De 71 profissionais ouvidos pelo Projeções Broadcast, 65 esperavam pelo corte de 0,50 ponto porcentual, cinco projetavam redução de 0,75 ponto e uma casa apostava em 0,25 ponto.
Setores do governo defendiam o corte de 0,75 ponto porcentual diante da fraqueza da economia, o alto desemprego e os índices de inflação mais controlados. Um argumento pró-redução surgiu mais cedo, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA - o índice oficial de inflação - fechou 2016 com taxa de 6,29%, dentro da meta perseguida pelo Banco Central (4,5%, com tolerância até 6,5%). (Leia nesta página).
No comunicado divulgado nesta quarta, 11, após a decisão, o Copom sinalizou que deve manter o ritmo forte de corte de juros nos próximos meses devido à inflação mais baixa e à atividade econômica fraca. "O Copom entende que a convergência da inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2017 e, com peso gradualmente crescente, de 2018, é compatível com intensificação da flexibilização monetária em curso", afirmou o comunicado.
"Diante do ambiente com expectativas de inflação ancoradas, o Comitê entende que o atual cenário, com um processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica aquém do esperado, já torna apropriada a antecipação do ciclo de distensão da política monetária, permitindo o estabelecimento do novo ritmo de flexibilização", citou. "A extensão do ciclo e possíveis revisões no ritmo de flexibilização continuarão dependendo das projeções e expectativas de inflação e da evolução dos fatores de risco mencionados acima".
PROJEÇÃO DA INFLAÇÃO
O BC esclareceu ainda que projeta uma inflação abaixo de 4,5%, que é o centro da meta, para 2017. "As projeções no cenário de referência encontram-se em torno de 4,0% e 3,4% para 2017 e 2018, respectivamente. Já no cenário de mercado, situam-se em torno de 4,4% e 4,5% para 2017 e 2018, respectivamente", disse o BC no comunicado. "Há evidências de que o processo de desinflação mais difundida tenha atingido também componentes mais sensíveis à política monetária e ao ciclo econômico", afirmou o texto.
Ao explicar a decisão desta quarta, o Copom disse também que um conjunto de indicadores aponta para uma atividade econômica aquém do esperado. "A evidência disponível sinaliza que a retomada da atividade econômica deve ser ainda mais demorada e gradual que a antecipada previamente. No âmbito externo, o cenário ainda é bastante incerto", afirmou o comitê. (Com Folhapress)


