Vânia Casado
De Curitiba
A Antárctica reavaliou o plantio de cevada no Paraná e mantém boas expectivas de produção na área incentivada pela indústria, apesar do período de seca e geadas. Em reunião realizada na última sexta-feira, na unidade industrial da Lapa, os técnicos avaliaram que as perdas não serão acentuadas tão quanto se previa. A empresa está trabalhando com uma expectativa de redução na produtividade de 10% a 15%, inferior à projetada na média do Estado pela Seab (22%).
Com o retorno das chuvas na região dos Campos Gerais e Sul do estado, a cultura recuperou o vigor. A esterilidade dos grãos, prevista durante a seca, não se confirmou, segundo Valmir Ferrari, gerente industrial da unidade da Antárctica na Lapa. A cultura é mais resistente que o trigo e, apesar da estiagem, as baixas temperaturas ajudaram a suportar a seca. Mesmo as geadas em meados de agosto não chegaram a afetar as lavouras plantadas na região dos Campos Gerais, que concentra 75% do plantio incentivado pela indústria no Paraná.
Segundo Ferrari, a colheita inicia a partir do dia 20 e essa semana os técnicos retornam às lavouras para avaliar a qualidade para a indústria cervejeira. ‘‘Os produtores estão acostumados com essa avaliação no campo, que é a condição para manutenção do compromisso de compra da produção’’, explicou. Com a redução na produtividade, a Antárctica está trabalhando com uma produtividade de 2.500 kg/ ha, inferior à projetada (2.800 kg/ha).
Apesar da queda na produtividade, considerada pequena, a Antárctica reforça o planejamento de reduzir a dependência do produto importado. Esse ano a empresa contratou a compra de 93.000/t de cevada em todo o país, um pouco inferior ao volume comprado no ano passado, que foi de 104.000 t. O Paraná deverá gerar um volume de produção de 45.000/t, mesmo com as perdas avaliadas na última semana. A empresa incentivou o plantio numa área aproximada de 22.000 ha, entre as regiões Sul e dos Campos Gerais.
Os produtores deverão receber R$ 190,00/t como pagamento para a cevada de primeira qualidade. Esse custo fixado pela empresa, leva em consideração o desembolso com os custos de produção e uma ligeira margem de rentabilidade. Ferrari, disse que o custo da cevada mantém a paridade com o trigo e quando o preço mínimo foi fixado em R$ 185/t, a empresa decidiu elevar um pouco o valor pago para a cevada até um teto que mantém a produção nacional competitiva em relação ao produto importado.
Ferrari disse que os produtores que investiram na cevada não terão perdas em relação ao trigo, que está mais valorizado no mercado. Isso porque ele acredita em redução no valor pago atualmente ao trigo, assim que intensificar a colheita. O produtor de cevada tem que levar em consideração que a indústria cervejeira compra a produção, paga a vista e arca com todos os custos de carregamento do estoque, como beneficiamento, armazenagem e transporte da produção.

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