São Paulo- Por trás da forte oscilação que a Bolsa de Valores de São Paulo exibiu nos últimos dias, sem prestar atenção aos fundamentos da economia brasileira e frequentemente ignorando notícias que pudessem indicar um caminho a seguir, está um único sentimento, dizem analistas: o medo.
Mas não são apenas os estudiosos de finanças comportamentais, os quais se dedicam a explicar as decisões de investimento com base em conceitos da psicologia e da sociologia, que fazem tal diagnóstico. Muitos operadores do mercado financeiro e gestores de recursos admitem que se deixam levar pelas emoções na hora de realizar os seus movimentos, tanto nos tempos de grande incerteza quanto nos de bastante otimismo. A euforia esconde o risco e o pessimismo não deixa ver a luz no fim do túnel.
Os pequenos investidores ficam ainda mais reféns da irracionalidade. Alimentam, dessa maneira, o chamado ''efeito manada'': sem saber exatamente o que fazer, todo mundo corre junto para o mesmo lado. Não há elementos de pânico no recente sobe-e-desce da Bovespa, porém, está claro, na avaliação dos especialistas, que a insensatez tem prevalecido.
''Grande parte dos investidores que aplicam em ações atualmente só viveu o período de alta e somente contava com os lucros. Diante de uma crise, naturalmente acaba se assustando e tem vontade de fugir, sair correndo'', explica Jurandir Sell Macedo Junior, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). ''Se fizer isso, vai se machucar.''
A melhor maneira de se proteger quando o nervosismo ao redor está exacerbado é se ater aos seus objetivos. ''Quem quer mais e mais acaba passando do ponto. Ter uma estratégia clara para o dinheiro e estabelecer, antes de começar a aplicar, as metas de retorno é essencial'', frisa Vera Rita de Mello Ferreira, professora da Fundação Instituto de Administração (FIA) e autora de livros sobre psicologia econômica. ''Além disso, é preciso fazer uma comparação dos rendimentos com o valor inicial e não com os picos que ocorreram no período, porque aquele dinheiro não representou um ganho efetivo.''
A Bolsa é um investimento que oferece maiores riscos porque também apresenta chances de ganhos maiores. Diversificar, escolhendo ações de setores diferentes e colocando ainda algumas parcelas os recursos em aplicações mais conservadoras ajuda a equilibrar os perigos e evita dores de cabeça.
Entretanto, os lucros prometidos pelo longo prazo podem não compensar o sofrimento de ver as economias das famílias se deteriorarem nas épocas de turbulências no mercado acionário. Por isso, caso a angústia seja demasiada, deve-se até considerar vender as ações com prejuízo e buscar uma opção de poupança mais segura. ''As reservas servem para proporcionar tranquilidade e segurança, e não ser fonte de ansiedade'', comenta Macedo.

mockup