ANP quer que indústrias gerem e vendam energia
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sexta-feira, 27 de abril de 2001
Agência Estado De Salvador 
O presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn confirmou ontem na capital baiana que o governo vai estimular indústrias, pólos petroquímicos e grandes shoppings centers a instalar sistemas de co-geração de energia para obterem a autosuficiência no produto e venderem a energia excedente às concessionárias, que repassariam aos consumidores.
Isso aliviaria em muito a demanda de energia no País nesse momento de crise, comentou, informando que esses sistemas compactos, que usariam turbinas de circuito fechado, de fabricação nacional, serão movidos a gás natural, assim como as dez usinas termoelétricas a serem instaladas até o final do ano em vários estados brasileiros, gerando entre 4 e 5 mil megawatts.
A grande diferença dos sistemas co-geração é a economia pois ele tem capacidade de geração energética a um custo 50% menor que o das termoelétricas, explicou. Zylbersztajn não soube avaliar qual a capacidade de geração dessa energia alternativa do parque industrial brasileiro mas lembrou que somente as indústrias de cana-de-açúcar de São Paulo têm um potencial de gerar excedentes em torno de 4 mil megawatts apenas utilizando bagaço de cana como combustível para as usinas termoelétricas.
Segundo o presidente da ANP, o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) está criando linhas de financiamento para a instalação das usinas de turbina de circuito fechado, lembrando que a venda de energia é um excelente negócio a médio e longo prazo para as empresas.
A venda de energia por atacado está prevista no programa de regulamentação do sistema energético brasileiro e muitas indústrias do exterior já projetam os lucros com a venda desse produto nos seus planos de metas.
Zylbersztajn esteve em Salvador para discutir com o governo baiano a instalação de gasoduto de 150 quilômetros ligando os terminais da Petrobras no município de Candeias, região metropolitana da capital baiana, até o município de Feira de Santana, o mais populoso do interior do Estado. O gasoduto deve ser instalado até o final do ano e terá a capacidade de transportar inicialmente 120 mil metros cúbicos do combustível por dia, podendo chegar a 400 mil.


