ANP prevê aumento do etanol na gasolina
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, estimou ontem que o percentual de etanol na gasolina passe de 20% para 25% no fim da safra de cana-de-açúcar, provavelmente em abril. A previsão antecipa a mudança que estava marcada para julho, mas entidades que representam as distribuidoras e os produtores do biocombustível levarão ao governo a demanda de que o percentual seja elevado já em fevereiro, em reunião marcada para segunda-feira, em Brasília.
Para Magda, a tendência é que o governo aceite a mudança apenas com os números fechados sobre 2012, em abril. "Temos que confirmar a safra, mas estamos achando que sim", disse, em evento da Transpetro, no Rio. O presidente da Associação de Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar), Miguel Rubens Tranin, afirma que a previsão de crescimento para a próxima safra e o elevado estoque de cana no Centro-Sul motivaram a antecipação. "Há uma folga bastante grande, porque o consumo mensal médio é de 1 bilhão de litros de anidro."
Tranin diz que, do percentual destinado à produção de etanol anidro, há uma reserva de até 4 bilhões de litros. Se considerada a ampliação da mistura de 20% para 25%, o estoque seria o bastante para três meses. "Nosso pleito nessa reunião de segunda é para que a mudança seja em fevereiro, porque temos tranquilidade para manter o abastecimento", conta. Pelo lado do governo, participarão do encontro em Brasília representantes da ANP e dos ministérios de Minas e Energia e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, além de dirigentes de sindicatos de distribuidoras e de produtores.
O processamento de cana bateu em 531 milhões de toneladas até 31 de dezembro, segundo a União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica). O Paraná teve queda de 2% na moagem no ano passado em relação a 2011, mas houve aumento de 7,7% em todo o Centro-Sul. A previsão para a safra futura na região é de novo aumento de 7%, para chegar a um total de 570 milhões de toneladas processadas, segundo a Alcopar.
Reajuste da gasolina
A produção de etanol anidro ainda pode crescer, segundo a Tranin. Ele diz que a mudança, no entanto, depende do reflexo do reajuste da gasolina nos postos de combustíveis, esperado para o início deste ano. "Se houver (aumento no preço da gasolina), vai ter maior consumo de hidratado e redução no da gasolina. Nesse caso, vai migrar a produção de anidro para hidratado", diz. Ele acredita que o preço do etanol nas bombas volte a compensar na maioria dos estados e que, nos restantes, ocorra equilíbrio, caso o reajuste seja mesmo de 7%.
O governo reduziu a quantidade de etanol na gasolina de 25% para 20% no fim de 2011, motivado pela escassez do biocombustível e um consequente aumento no preço. Desta vez, o presidente da entidade não crê que uma maior demanda pelo etanol hidratado leve a um reajuste também do biocombustível. "Pela estimativa de safra maior, caiu o preço do açúcar no mercado internacional", afirma, o que torna natural a migração da produção para o etanol e, portanto, uma oferta compatível à demanda.
Ele afirma que também deve facilitar a vida da indústria canavieira a ampliação da frota de veículos no País. No ano passado, houve crescimento de vendas de 4,6% do setor em 2012, conforme números da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).


