ANP pode punir usinas que atrasam entregas
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sábado, 13 de outubro de 2007
Fernando Nakagawa<br> Folhapress 
Brasília - Usinas que atrasaram a entrega do biodiesel comprado pela Petrobras poderão ficar fora dos próximos leilões do combustível. O alerta foi feito pelo diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima. Produtores que estão nessa situação argumentam que problemas externos atrapalharam o fornecimento. O impedimento mais citado é uma eventual falha da BR Distribuidora, responsável por retirar o produto.
''Quem participou dos leilões anteriores e não cumpriu o contrato não deve participar [dos próximos]'', disse o diretor-geral da ANP. O principal argumento de Lima é que os editais dos quatro leilões já realizados prevêem punição a fornecedores que descumprirem prazos e especificações.
A possibilidade de punição causa mal-estar entre usineiros. Com o temor de que possam ficar sem ter para quem vender, produtores já têm dito ao governo que o atraso ocorreu por problemas de terceiros. O principal deles de responsabilidade da Petrobras.
''Mesmo tendo adquirido o biodiesel, distribuidoras foram mais lentas que o necessário na retirada. Isso gerou acúmulo de produto'', diz o presidente do Conselho de Administração da União Brasileira do Biodiesel, Juan Diego Ferrés.
Conforme o modelo em vigor, o biodiesel produzido precisa ser retirado pelas distribuidoras nas usinas. Esse trabalho é de responsabilidade da Petrobras e da BR Distribuidora.
Procurada, a BR Distribuidora não respondeu até o fechamento desta edição. Mas a Folha apurou que a empresa não aceita o argumento dos usineiros e atribui o problema aos próprios produtores, que teriam enfrentado problemas com a matéria-prima - que subiu além do esperado - e especificações técnicas - alguns produtores não conseguiram atingir o padrão mínimo de qualidade exigido.
Dados da ANP mostram que só 31% dos 840 milhões de litros contratados foram entregues até agosto. Mas há empresas que não forneceram nada e podem ficar fora dos leilões.


