ANP lacra bombas de álcool em Londrina
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terça-feira, 08 de maio de 2001
Benê BianchiDe Londrina 
As três bombas de álcool do Posto Vip, em Londrina, foram lacradas ontem por fiscais da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Eles estão na cidade a pedido da Promotoria de Defesa do Consumidor, que investiga a formação de cartel nos preços da gasolina vendida em Londrina e que, devido às constantes reclamações que tem recebido, decidiu verificar também a qualidade dos produtos oferecidos.
A equipe ficará na cidade por mais três ou quatro dias. O Posto Vip foi o único em que foram detectados problemas ontem entre os quatro visitados. O álcool vendido no estabelecimento apresentou 91,2 graus de teor alcoólico, enquanto o mínimo permitido pela ANP é 92,6 graus e o máximo é de 93,2 graus. Segundo a química da ANP, Alessandra Gomes Rodrigues, a quantidade de álcool inferior ao permitido pode provocar problemas nos motores dos veículos.
O promotor de Defesa do Consumidor, Miguel Jorge Sogaiar, informou que iria solicitar abertura de inquérito policial para verificar os responsáveis pela venda do combustível fora das especificações. Segundo ele, o fato caracteriza crime de relação de consumo e a pena prevista para o responsável é de 2 a 5 anos de detenção ou multa. O valor é determinado pelo juiz.
O combustível vendido no Posto Vip é fornecido pela distribuidora Petroálcool, de Maringá, cujo proprietário, Antonio Beline, também é o dono do posto. No início da noite de ontem, um funcionário foi enviado de Maringá com o objetivo de refazer os testes, o que não foi aceito pelos fiscais da ANP. Àquela hora, toda a documentação envolvendo o auto de infração e autuação estavam quase concluída.
Mesmo assim, o funcionário Carlos Alberto Esteves fez novo teste (que não terá valor perante à Justiça) e, segundo ele, o teor encontrado foi de 92,8 graus. Esteves alegou que devido à venda reduzida nos últimos dias, o combustível ficou parado no tanque e houve separação do álcool e água, o que teria provocado o baixo teor alcoólico.
Isso pode ocorrer em qualquer posto, alegou. A justificativa não convenceu os fiscais. Parado ou não, os consumidores estavam comprando um combustível fora das especificações, disse um dos fiscais. A ANP prevê multa de R$ 30 mil a R$ 5 milhões nas ocorrências de vendas de combustível fora das especificações. A gasolina vendida no posto não apresentou problemas.


