As três bombas de álcool do Posto Vip, em Londrina, foram lacradas ontem por fiscais da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Eles estão na cidade a pedido da Promotoria de Defesa do Consumidor, que investiga a formação de cartel nos preços da gasolina vendida em Londrina e que, devido às constantes reclamações que tem recebido, decidiu verificar também a qualidade dos produtos oferecidos.
A equipe ficará na cidade por mais três ou quatro dias. O Posto Vip foi o único em que foram detectados problemas ontem entre os quatro visitados. O álcool vendido no estabelecimento apresentou 91,2 graus de teor alcoólico, enquanto o mínimo permitido pela ANP é 92,6 graus e o máximo é de 93,2 graus. Segundo a química da ANP, Alessandra Gomes Rodrigues, a quantidade de álcool inferior ao permitido pode provocar problemas nos motores dos veículos.
O promotor de Defesa do Consumidor, Miguel Jorge Sogaiar, informou que iria solicitar abertura de inquérito policial para verificar os responsáveis pela venda do combustível fora das especificações. Segundo ele, o fato caracteriza crime de relação de consumo e a pena prevista para o responsável é de 2 a 5 anos de detenção ou multa. O valor é determinado pelo juiz.
O combustível vendido no Posto Vip é fornecido pela distribuidora Petroálcool, de Maringá, cujo proprietário, Antonio Beline, também é o dono do posto. No início da noite de ontem, um funcionário foi enviado de Maringá com o objetivo de refazer os testes, o que não foi aceito pelos fiscais da ANP. Àquela hora, toda a documentação envolvendo o auto de infração e autuação estavam quase concluída.
Mesmo assim, o funcionário Carlos Alberto Esteves fez novo teste (que não terá valor perante à Justiça) e, segundo ele, o teor encontrado foi de 92,8 graus. Esteves alegou que devido à venda reduzida nos últimos dias, o combustível ficou parado no tanque e houve separação do álcool e água, o que teria provocado o baixo teor alcoólico.
‘‘Isso pode ocorrer em qualquer posto’’, alegou. A justificativa não convenceu os fiscais. ‘‘Parado ou não, os consumidores estavam comprando um combustível fora das especificações’’, disse um dos fiscais. A ANP prevê multa de R$ 30 mil a R$ 5 milhões nas ocorrências de vendas de combustível fora das especificações. A gasolina vendida no posto não apresentou problemas.

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