ANP inicia fiscalização nos postos de Curitiba
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de março de 2010
Andréa Bertoldi<br> Equipe da FOLHA 
Curitiba - A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) iniciou ontem uma fiscalização nos postos de Curitiba para apurar irregularidades no setor. Um dos indícios que chamou a atenção dos fiscais foi o comportamento dos preços na Capital devido à grande oscilação e aos valores baixos que vem sendo praticados nas últimas semanas. Além disso, também há suspeitas de uso de metanol, substância altamente tóxica e de comercialização proibida, misturado ao etanol.
Segundo fontes do setor, a operação, desta vez, não foi de rotina. Nos últimos 15 dias, os preços ''são impossíveis de serem praticados'', segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis-PR), Roberto Fregonese.
Ele lembrou que um dos motivos que fez o álcool cair foi o início da safra de cana-de-açúcar. No entanto, ele não vê condições para a venda do produto nos postos por R$ 1,47, sendo que o valor de custo na distribuidora está em R$ 1,50. Agora, já começa a valer a pena abastecer o carro com álcool já que custa menos de 70% do valor da gasolina. Em Curitiba, o álcool é vendido a um preço médio de R$ 1,68 e varia de R$ 1,47 a R$ 1,99. Há um mês custava R$ 1,88. Em Londrina, ontem o preço na maioria dos postos, o combustível era vendido a R$ 1,29. Na última semana, o preço médio era de R$ 1,58 e variava de R$ 1,41 a R$ 1,99. Na metade de fevereiro, o valor médio era de R$ 1,88.
A gasolina é vendida nas distribuidora por R$ 2,23. ''Como vai vender o produto por R$ 2,29 nos postos?, questionou. O preço médio em Curitiba é de R$ 2,42, mas varia de R$ 2,28 a R$ 2,59. Na metade de fevereiro, custava, em média, R$ 2,53. Em Londrina, o produto é vendido ao preço médio de R$ 2,43 oscilando entre R$ 2,27 e R$ 2,69. Na semana de 14 a 20 de fevereiro custava, em média, R$ 2,56.
Segundo ele, o consumidor está ''clamando por fiscalização''. ''É importante ter este tipo de operação'', disse. Fregonese espera que se forem encontradas irregularidades, que haja punição de forma exemplar para os revendedores.
Em entrevista à Folha no final de fevereiro, o presidente do Sindicombustíveis-PR, Roberto Fregonese, disse que a prova de que há irregularidade no mercado é que em Curitiba e Londrina há postos que vendem o álcool a preços abaixo do que os revendedores pagam às companhias distribuidoras. A queda dos preços da gasolina também pode ser um indício de irregularidade.


