ANP estuda normas para biodiesel
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quarta-feira, 13 de agosto de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
O Brasil importa 15% do óleo diesel consumido pelo País. Diante desse déficit no abastecimento, o desenvolvimento de substitutos para o combustível adquire importância estratégica. A opinião é de Waldir Luiz Ribeiro Gallo, assessor da diretoria técnica da Associação Nacional do Petróleo (ANP). Ele participou do 1º Seminário de Biodiesel do Paraná, que terminou ontem em Londrina.
Uma opção para substituir o óleo diesel à base de petróleo é o biodiesel produzido a partir de óleos vegetais. Para Gallo, a utilização desse combustível em escala comercial depende do estabelecimento de especificações técnicas pela ANP. Conforme explicou o técnico, o biodiesel não pode aumentar exageradamente o consumo de combustível pelo veículo e precisa garantir a durabilidade do motor. ''Os veículos movidos à diesel são feitos para uso comercial e necessitam de motores duráveis'', salientou.
Outro aspecto a ser considerado, antes da produção em grande escala, é a viabilidade do custo de produção e, consequentemente, do preço ao consumidor final. Além disso, o governo precisa estabelecer regras sobre a tributação, já que o valor dos impostos são decisivos para o preço final dos combustíveis. ''Essas duas últimas esferas (viabilidade do preço e tributação) fogem da competência da ANP'', esclareceu.
Gallo revelou que as especificações da agência para a realização de ensaios com biodiesel devem estar disponíveis em poucos dias. Já a liberação comercial depende de algumas decisões políticas. ''Um cronograma de um ano para a liberação seria bem apertado'', comparou.
Ao contrário do óleo diesel, o Brasil é auto-suficiente na produção de gasolina. ''O excedente é exportado'', disse. Mesmo com essa ''sobra'', o preço do produto é alto nas bombas dos postos de combustível. Segundo Gallo, o valor final é definido pela associação entre custo de produção, margem comercial e tributos.
Apesar da carga tributária ser alta, ele afirmou que apenas esse item não pode justificar o preço alto. No Paraná, por exemplo, a carga tributária dos combustíveis é a mesma em todos os municípios, mas os valores praticados são diferentes. Enquanto os postos de Londrina venderam gasolina ao preço médio de R$ 2,06 por litro na semana passada, segundo levantamento da ANP, em Maringá o preço praticado foi R$ 1,76. ''Impostos e o preço do frete não justificam diferenças brutais no preço'', afirmou.


