O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, apóia a idéia de prorrogar o racionamento, que terminaria em novembro, pelo menos até o primeiro trimestre do ano que vem. ‘‘Deve-se preservar ao máximo o nível dos reservatórios para evitarmos problemas futuros. Se pudermos estender o racionamento, mesmo com metas menos rígidas, e os novos projetos de geração se concretizarem, vamos atravessar bem 2002 e entrar em 2003 com muito mais conforto’’, disse.
Zylbersztajn não acredita, no entanto, que o governo terá de pôr em prática o Plano B - que entre outras coisas prevê apagões -, criado para o caso de o racionamento não ser suficiente. ‘‘Eu acho que esse plano que está em vigor vai dar certo. O plano B foi apresentado pelo governo para que a sociedade soubesse o que poderia acontecer, mas não acho que será necessário utilizá-lo’’, declarou.
Mas, para preservar o nível dos reservatórios, Zylbersztajn acredita que o racionamento precisaria continuar pelo menos até o fim do período chuvoso, que começa em novembro e vai até março. ‘‘Em março ou abril, quando termina o ‘período molhado’, é que teremos condições de fazer uma boa avaliação da situação dos reservatórios’’, disse.
O diretor-geral da ANP - um dos membros da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE) - garantiu que nenhuma das decisões nessa área leva em conta interesses eleitorais. ‘‘Eu acho que tem de prevalecer o interesse geral e não o interesse eleitoral’’, disse. O diretor da ANP observou, no entanto, que, se os apagões efetivamente não ocorrerem, o governo poderia usar isto politicamente. ‘‘Não usaram o apagão politicamente? Porque o não-apagão não pode ser utilizado também?’’, indagou.
Zylbersztajn também criticou a discussão sobre a construção de Angra 3. Para ele, não há nenhum motivo para que a crise energética levante a discussão sobre a usina nuclear, que ainda demoraria muito tempo para ficar pronta.
Zylbersztajn disse ainda que as regras do concurso aberto para ampliação do Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol) devem ser divulgadas em cerca de 45 dias.
O consurso aberto - processo semelhante a uma licitação - terá como função definir que empresas poderão utilizar a expansão do Gasbol.

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