ANP adianta que ramal de gasoduto em Londrina é viável
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quarta-feira, 12 de agosto de 1998
Cláudia Lopes 
A direção da Agência Nacional de Petróleo (ANP) afirmou ontem no Rio de Janeiro, durante reunião com representantes de entidades londrinenses, que a extensão de um ramal do gasoduto Bolívia-Brasil até Londrina é um projeto viável. Os superintendentes da agência, que é responsável pela autorização de importação e exportação de gás natural no Brasil, advertiram, porém, que a construção do ramal depende da demanda de gás da região. A demanda mínima exigida seria entre 1 milhão de metros cúbicos/dia e 2 milhões de metros cúbicos/dia, segundo Rubens Pavan, presidente da Sercomtel, e representante da prefeitura do município na reunião.
Dependendo do resultado do levantantamento da demanda de gás na região que está sendo feito pela Compagás, o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edison Ponti, disse que o grupo londrinense irá se reunir com a Petrobrás - uma das proprietárias do gasoduto - para tentar viabilizar a construção do ramal. Mas se a Petrobrás não tiver interesse, tentaremos montar um consórcio, inclusive com empresas internacionais, para bancar o ramal, afirma. Segundo ele, o negócio é altamente rentável. A construção do ramal deve custar entre US$ 50 milhões e US$ 70 milhões. Se for cobrado R$ 0,006 por metro cúbico, o investimento já dá retorno, calcula.
O diretor da Associação Comercial e Industrial de Londrina, Rafael de Giovani Neto, afirma que o encontro de ontem foi importante para obter informações mais claras sobre o assunto. Até agora, as informações estavam muito desencontradas, admite. Clóvis Coelho, presidente do Sinduscon, disse que o receio de não haver gás suficiente para suprir a demanda brasileira foi descartado pela direção da ANP.
No mês passado, o assessor da Compagás, Jorge Olímpio Cruz, adiantou à Folha que dependendo da demanda da região Londrina pode inclusive sediar um site gate (portão de entrega de gás) da estatal. Segundo dados do Plano de Desenvolvimento de Londrina (PDI), a Cia. Cacique de Café Solúvel, que usa hoje 430 mil quilos de gás de cozinha mês, tem possibilidade de usar 930 mil toneladas de gás natural; a Herbitécnica, que consome 3 mil quilos de GLP/mês, pode usar até 100 mil quilos de gás natural por mês, e a Eliane, que consome 270 mil quilos de GLP/mês e 100 mil quilos de óleo combustível/mês, pode dobrar este consumo.
O grupo de lideranças de Londrina reuniu-se com a superintendente de relações institucionais da ANP, Maria Elisa Simões Ouro Preto, com o superintendente de importação e exportação de petróleo, derivados e gás natural, Adriano Pires Rodrigues, e com o superintendente de gestão interna, Fernando Teixeira Mendes Filho.


