Ano novo, investimento novo
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sexta-feira, 08 de dezembro de 2017
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 

As seguidas reduções na taxa básica de juros, a Selic, e as perspectivas de que o pior da crise econômica já passou tendem a modificar os alvos no mercado de investimento para 2018. Se era possível conseguir segurança, boa remuneração e liquidez com títulos públicos e privados quando a taxa estava mais alta, o público terá de abrir mão no mínimo de uma das três condições para ter crescimento de patrimônio. O que deve fazer com que os fundos de investimentos ganhem espaço nos próximos meses.
Segundo dados da Ambima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) consolidados até setembro, os fundos representam 30,4% de todos os valores investidos no País, na terceira colocação geral. Estão à frente os títulos e valores mobiliários, com 31,1%, e a poupança, com 37,9%.
Com segurança, liquidez e baixa ou nenhuma remuneração, a poupança era desaconselhada como aplicação financeira antes e continua a ser hoje. Os especialistas em investimento afirmam que o ideal é manter recursos para emergências nesse tipo de conta, mas não para ter ganho de capital. Para esse objetivo, é necessário buscar outra modalidade. "A poupança é isenta de Imposto de Renda e não tem custo de manutenção, mas não atende a necessidade de se ganhar capital. Existem fundos de investimentos que cobram 2% de taxa de administração e dão retorno livre de 16% ao ano, então o que é melhor?", diz o sócio da Fort Investimentos Gabriel Vansolini.
Os títulos e valores mobiliários têm hoje praticamente a mesma representatividade no País do que os fundos de investimentos. Porém, com a Selic em 7% ao ano conforme decisão de quarta-feira, 6, do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central), títulos públicos ou privados atrelados à taxa básica devem deixar de valer a pena para novos investidores, o que não significa que quem investiu quando os juros estavam altos no passado necessite resgatar os valores. "Ou a pessoa terá de abrir mão da liquidez, deixando o dinheiro aplicado por mais tempo, ou da segurança, em investimentos que tenham maior volatilidade", diz Vansolini.
É aí que entram os fundos de ações e os multimercados. Feitos por meio de corretoras, esses investimentos têm começado a ganhar adeptos conforme aumenta a educação financeira do brasileiro, em detrimento das aplicações feitas em bancos. No entanto, há resistência de parte da população porque nem todas as modalidades são livres de risco. "O mercado financeiro não é tão fácil quanto algumas pessoas pensam e, para pessoas físicas, orientamos procurar gestores de fundos que ganharam dinheiro nos últimos anos, fazer cursos e diversificar os investimentos", sugere o sócio na Real Investor Guilherme Lanzoni.
A maior diferença entre fundos de ações e multimercados é o risco. No primeiro caso, é necessário que pelo menos 67% do patrimônio seja investido em ações. No multimercados, é possível dividir em diferentes ativos, entre papéis de renda fixa, ações de empresas, moedas como o dólar, derivativos e investimento no exterior.
Lanzoni acredita que o cenário de juros baixos favorece a migração de recursos para a renda variável. "Parte dos que estão acostumados com renda fixa terão de tomar mais riscos em 2018, como no mercado de ações", diz. Ele completa que não é adequado colocar todos os ovos na mesma cesta, mas que é bom entrar nesse mercado quando não se vai precisar do dinheiro por prazos mais longos. "É difícil falar em variáveis curtas, mas temos muita confiança de que as ações terão performance melhor do que todos os outros investimentos em um prazo de três a cinco anos", afirma.
Vansolini acrescenta que não é preciso abrir mão da segurança e da rentabilidade, desde que a liquidez seja deixada de lado. Ele cita o COE (Certificado de Operações Estruturadas), que tem a vantagem de ser adaptável ao perfil de cada investidor. "É uma mistura de renda fixa e variável, com segurança de CDB, com uma parte em ações e outra em fundos multimercados, e várias outras formas de diversificar a carteira sem correr tantos riscos", diz.

VARIÁVEIS
O sócio da Fort Investimentos considera que o mercado de ações está em tendência positiva, mas que o investidor não pode entrar em sofrimento na primeira queda brusca, já que existem fatores como as eleições e a votação da reforma da Previdência que podem causar oscilações. "Obviamente que não é uma reforma justa, ideal, mas são essas as duas questões que devem determinar o preços das ações em 2018, caso a votação não saia neste ano", diz Vansolini.
Por outro lado, Lanzoni acredita que, por mais que seja difícil se precaver a sustos políticos no Brasil de hoje, o atraso para a votação de novas regras previdenciárias já está precificado. "Se não passar, é neutro, porque tem fôlego para aguentar mais tempo e já tivemos a queda de juros. Se passar, vai tornar as ações ainda mais atrativas."


