2009 ainda é um ano de incertezas. Neste último quadrimestre a crise financeira chegou, se instalou, atingiu todo o mundo e foi transformada em recessão, interrompendo um ciclo de crescimento em praticamente todos os setores da economia. Apesar disso, 2008 ainda será fechado como um bom ano para a economia, com vários indicadores positivos em praticamente todos os setores. Para 2009, as análises é que a economia vai crescer, embora em índices menores.
''A economia brasileira será menos afetada do que a de outros países. Temos um 'grau de robustez' melhor e não estamos sendo tão atingidos quanto no passado'', avalia Antônio Carlos Moretto, professor de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Na sua avaliação o primeiro semestre de 2009 será ruim para todos. Isso deve ocorrer porque as empresas estão aproveitando o momento para fazer alguns ajustes, o que certamente resultará em mais demissões.
Além disso, outro fator negativo deverá ser a alta nos preços dos alimentos, uma vez que a produção já está sendo comprometida devido a fatores climáticos. No entanto, a sua análise é que a partir do segundo semestre a economia já dará sinais de recuperação. ''A recuperação sempre é mais lenta do que a queda. Em 2009 a economia vai crescer, só que menos do que em 2008'', afirma Moretto. Ele acrescenta que a economia é feita de ciclos altos e baixos e a partir da globalização há uma maior integração e as oscilações são mais fortes do que no passado.
Por enquanto, a crise provocou apenas desaceleração em alguns setores da economia sem provocar quedas bruscas no desempenho. O que tem acontecido é que neste último trimestre os resultados atingidos voltaram aos patamares registrados em anos anteriores, quando a aceleração não estava tão forte. Mesmo assim 2008 será lembrado em Londrina como o ano do emprego, uma vez que atingiu os maiores níveis da história da cidade; o ''ano de ouro'' da construção civil, com uma forte geração de vagas de trabalho e lançamentos imobiliários; e um dos melhores anos para a venda de automóveis.
Já o agronegócio - mola propulsora da economia de muitas cidades - viveu um ano de extremos. Os preços das commodities atingiram níveis recordes no primeiro semestre e, no segundo semestre, as cotações tiveram fortes quedas. Os produtores sofreram também com a alta nos custos de produção, puxada pela demanda e pelo preço do petróleo. No entanto, o governo agiu e lançou vários pacotes para tentar estimular a produção industrial e o consumo, uma alternativa para minimizar os efeitos da crise. O que ninguém se arrisca a dizer é quanto tempo vai durar a recessão e como os brasileiros conseguirão suportá-la.

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