Estimativas indicam que este será um ano difícil para o agronegócio. Além das variáveis tradicionais que regem o mercado - como clima, oferta e demanda, e movimentação das bolsas - há a crise econômica. Além disso, é preciso fazer uma análise de curto e médio prazo e, neste sentido, o quadro principal é a movimentação do petróleo. Nos Estados Unidos, principal consumidor mundial, o consumo está caindo.
''Para os próximos 20, 30 anos, os biocombustíveis vão fazer parte da política de governo dos Estados e também há a necessidade de produzir alimentos'', afirmou o analista Paulo Molinari. Além disso, ele reforçou que o Brasil já atingiu os principais mercados consumidores de carne do mundo: como os Estados Unidos, a Europa, o Japão e o Oriente Médio. ''A recessão atingiu o padrão do consumo (consumidores mais exigentes que consomem cortes mais nobres). Mas se esta crise tem algum ponto positivo foi a correção da taxa cambial. Estaríamos pior hoje se esta correção não tivesse ocorrido'', salientou.
Para exemplificar, ele cita que, no Brasil, o preço da soja hoje está em patamar mais elevado do que no ano passado, quando a cotação bateu os US$ 16 o bushel. ''Portanto, os brasileiros devem aproveitar o melhor momento de comercialização para não acontecer o mesmo do ano passado, que muitos deixaram de vender nos picos e depois tiveram perdas'', observou Molinari.
Já o gerente de comercialização da Cooperativa Integrada, João Bosco de Souza Azevedo, disse que a cooperativa registrou perdas de 35% na produção de milho em função da estiagem considerando a estimativa inicial. ''Nossa orientação é que os produtores vendam suas produções de forma escalonada para aproveitar os picos de preços'', comentou. (F.M.)

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