Maior reajuste de preços na primeira semana de outubro ocorreu justamente no Paraná, com 1,5%, mas demanda do consumidor interno continua baixa
Maior reajuste de preços na primeira semana de outubro ocorreu justamente no Paraná, com 1,5%, mas demanda do consumidor interno continua baixa | Foto: Ricardo Chicarelli/4-4-2016
Imagem ilustrativa da imagem Ano de vacas magras



Os estoques enxutos de bovinos para abate melhoraram a margem de lucro dos pecuaristas no Paraná e em quase todo o País, o que, ao menos, fez com que cessassem as tentativas de compras abaixo do valor de referência no início de outubro, segundo a Scot Consultoria. Os efeitos do inverno mais rigoroso e seco levaram o produtor a segurar por mais tempo o rebanho, o que colaborou com os preços e criou uma tendência de mercado firme. Porém, a lucratividade está longe de empolgar.
O maior reajuste de preços na primeira semana de outubro ocorreu justamente no Paraná, com 1,5%, conforme a Scot. A valorização foi de 0,3% em São Paulo, de 0,5% no Rio de Janeiro e de 0,7% em Minas Gerais. Por outro lado, a demanda do consumidor interno, que representa historicamente cerca de 80% do total do mercado, continua baixa diante da crise econômica pela qual passa o País. Assim, o valor de venda nos açougues e supermercados paulistas está até 5 pontos percentuais mais baixo do que no ano passado, o que dificulta o repasse dos custos de produção para o preço final.
O rebanho nacional fechou 2015 com 215,2 milhões de cabeças, alta de 1,3% em relação ao ano anterior, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento tem se dado pela retenção de fêmeas no último ciclo, que dura em média cinco anos, depois de forte abate das matrizes no período imediatamente anterior, que provocou alta no preço. Desta vez, no entanto, a expectativa é de manter as vacas vivas. "O mercado de bezerros está interessante e o abate de matrizes só ocorre quando não tem mais preço interessante", diz o presidente da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon), Alberto Pessina.
Mesmo com as dificuldades enfrentadas neste ano, analistas consideram que existe uma tendência de bons lucros nos próximos anos, principalmente pela abertura de novos mercados e pela formalização de protocolos sanitários que permitem a entrada de carne in natura nos Estados Unidos. O diretor de Pecuária da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Ricardo Rezende, afirma que somente a falta de bois tem salvado o mercado. "Tivemos uma queda de pouco mais de 20% nas vendas, o que não permite que a arroba do boi se valorize. Por outro lado, os insumos tiveram alta também de pouco mais de 20%", conta.
Rezende considera que há risco, porém, de que a pecuária perca terras para a agricultura, principalmente a soja. Entretanto, aposta em melhores condições em 2017. "Acredito em estabilidade, mas, se houver uma mudança na economia brasileira como as que estamos esperando no governo federal e no Ministério da Agricultura para provocar de novo o consumo de carne, principalmente pelo brasileiro, vai ocorrer valorização."
Na Carta Boi de outubro da Scot Consultoria, o possível avanço da soja sobre a pecuária também é tema de preocupação, pela perspectiva de remuneração mais facilitada. Apesar de considerar que criar gado pode gerar lucro menor do que outras culturas, o relatório aponta para uma maior perspectiva de evolução no setor. "A pecuária possui uma amplitude de nível tecnológico muito maior que a agricultura, podendo, portanto, ser melhorada", segundo a Scot.

FOCO DENTRO E FORA
Para Pessina, é preciso aceitar o prejuízo no curtíssimo prazo. "Se olharmos a média de outras praças, o boi já voltou para a máxima, mas não reagiu em São Paulo. E, mesmo indo para a máxima, como os custos subiram muito, não se viabiliza a engorda."
Além das expectativas de melhora no mercado interno, que o presidente da Assocon divide com o diretor da SRP, é mesmo a exportação que leva brilho aos olhos do produtor. "Se abrirmos novos mercados, teremos uma demanda maior e isso elevará o preço", completa.

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