O próximo ano inicia com a tendência de um cenário mais positivo para o agronegócio. Depois da volatilidade extrema registrada em 2008 - com cotações atingindo recordes históricos no primeiro semestre e acumulando baixas a partir do segundo semestre - as projeções indicam que os preços devem voltar a reagir a partir de março. Inicialmente, a forte alta estava influenciada pelo aumento da demanda mundial e pelos biocombustíveis. No entanto, a crise econômica global atingiu os preços agrícolas com a saída de especuladores do mercado.
Além disso, os custos de produção que fizeram cair a rentabilidade das lavouras não deverá subir mais no próximo ano. Apesar da apreciação do dólar frente ao real, a cotação do petróleo - um dos componentes de defensivos e fertilizantes - despencou, o que não irá elevar mais os preços destes produtos. Além disso, a tendência é que os produtores utilizem menos tecnologia nesta safra, o que também fará cair a demanda por este tipo de produto. Este foi um ano de boa produção, elevando a oferta e os estoques mundiais em detrimento da demanda.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada a decisão de plantio desta safra (2008/09) foi tomada pelos produtores a partir da expectativa de preços, meios de comercialização, necessidade de rotação de culturas, capital fixo disponível e disponibilidade de crédito, entre outros fatores. Desta forma, a área plantada de milho caiu 8% no Paraná na comparação com a safra anterior. No Brasil o grão perdeu 3,2% da área. No entanto, a produção nacional será 7,4% menor, devido a perdas com a estiagem. Este fator deverá equilibrar oferta e demanda e não deverá provocar mais altas nos preços, diz o Cepea.
Já o mesmo não deverá ocorrer com o mercado da soja. As projeções indicam que os preços devem se manter semelhantes aos praticados neste ano com a manutenção do preço recebido pelos produtores. Neste ano os preços atingiram recordes históricos, chegando aos US$ 16 o bushel, e embora a cotação tenha caído o preço se mantém acima da média histórica. A tendência é que os preços não devem mostrar recuperação entre março e abril devido à entrada da safra brasileira no mercado. Já para o trigo as projeções indicam recuperação a partir do final do próximo mês, período de entressafra.
Mas a tendência é que o mercado ganhe mais força a partir do segundo semestre do próximo ano, quando a cotação deverá atingir a casa dos R$ 600 a tonelada. De um modo geral, há um alto volume de oferta e pouca demanda, principalmente, dos moinhos, que fizeram estoques com o trigo importado, que entrou com baixo custo no País devido à retirada da Tarifa de Exportação Comum (TEC).
Carnes
Depois de atingir um dos melhores resultados a avicultura paranaense fecha o ano com uma desaceleração nas exportações. Embora seja normal para o período, o setor já está organizado para reduzir o número de aves alojadas em todo o País, que deverá cair em 20%. Desta forma, o segmento avalia que os preços (que caíram em dólar a partir da crise e da valorização do dólar) podem voltar a subir. Nos primeiros dez meses deste ano o Paraná comercializou cerca de 850 milhões de quilos de aves, o que rendeu mais de US$ 1,5 bilhão.
Já o preço da arroba bovina deve esboçar alguma reação a partir de março. A cotação iniciou um novo ciclo de baixas a partir deste último trimestre, surpreendendo parte do mercado. Desta forma, o custo que estava acima dos R$ 90 a arroba caiu para o patamar dos R$ 80. Para o diretor técnico da AgraFNP (empresa privada de análises do agronegócio), José Vicente Ferraz, a queda deve impedir a recomposição do rebanho, que teve fortes baixas nos últimos anos. Na sua avaliação, os pecuaristas que puderem devem segurar o gado no pasto até que os preços sejam recuperados. (F.M.)

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