- Entre o ufanismo superficial do ministro Porto, que fala em safra de 80 milhões de toneladas; os planos do governo de aumentar o crédito de custeio em 97 e a amarga, porém realista, análise da Faep, naturalmente que os dados da Federação da Agricultdura é que prevalecem: uma agricultura exaurida, com dificuldades para se recompor e continuar a ‘‘segurar’’ em pé o Plano Real. Mas há algo de novo na informação divulgada ontem: governo pretende triplicar o volume de recursos no próximo ano para financiar a produção rural de base familiar. O Ministério da Fazenda divulgou ontem um estudo sobre uma retrospectiva do setor agrícola, em que garante que serão investidos R$ 1,5 bilhão por meio do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) contra os R$ 550 milhões investidos até outubro.
- Os pequenos agricultores pagam uma taxa de juro de 9% ao ano, um subsídio importante, já que os juros do crédito rural são da ordem de 12% ao ano. A expectativa dos técnicos do ministério é de que a safra agrícola 96/97 se situe em torno de 78 milhões de toneladas. Este ano, a safra foi de 73 milhões de toneladas e o produto interno agrícola, o chamado PIB agrícola, cresceu cerca de 3,5%.
- A avaliação do Ministério da Fazenda é de que, apesar das ‘‘previsões pessimistas’’, o desempenho do setor agrícola foi muito bom este ano. Os analistas chegaram a prever que haveria uma redução de até 20% na área plantada, mas o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apurou que a redução do plantio foi de apenas 1,9% para a maioria dos produtos. Ressalva, no entanto, que nas chamadas ‘‘culturas de verão’’ a redução da área de plantio alcançou 8%.
- ‘‘Apesar das dificuldades, não houve qualquer problema’’, atesta o documento da Coordenação de Política Agrícola da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, divulgado ontem pela ‘‘Agência Estado’’, através da repórter Beatriz Abreu. Os técnicos consideram que, durante este ano, houve um ajustamento dos preços relativos do setor, principalmente dos alimentos.
- No atacado, a alta acumulada foi de 16,1% para o preço dos alimentos no período de janeiro a novembro. Na média, no entanto, os preços aumentaram em 6,8%. Em 1995, os preços agrícolas no atacado recuaram 5,6% em relação aos de 94.
- A contrapartida desta alta de preços - que ‘‘não interrompeu a trajetória de queda gradual da inflação’’ - foi a recuperação da renda rural ao longo deste ano, segundo os técnicos. Eles comemoram este resultado com uma crítica implícita aos analistas do mercado, que identificaram no aumento dos preços agrícolas o fim da ‘‘âncora verde’’ do Plano Real.

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