Um velho sonho dos europeus começará a ser realizado neste dia 1º de janeiro de 1999: a entrada em vigor do euro, moeda criada para competir com o dólar e que, depois de sua implantação total, poderá proporcionar uma economia de US$ 25 bilhões anuais em transações cambiais. Por enquanto, o euro será adotado por onze dos quinze países da União Européia, criada em 1992: Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Holanda, Portugal e Espanha. Os demais países - Grécia, Suécia, Inglaterra e Dinamarca - vão aderir em 2002.
Embora não vá circular no bolso como moeda corrente até julho de 2002, o euro será negociado inicialmente por intermédio de cheques, cartões de crédito, transferências e cheques de viagem, e muitos comerciantes dos países da União Européia já estão colocando os preços em euro, em seus produtos.
No início, um euro valerá 2 marcos alemães, ou US$ 1,10. A UME (Unidade Monetária Européia), nome de batismo da nova moeda, já nasce dividindo a opinião pública: algumas pesquisas indicam que 61% dos habitantes dos países da UE aprovaram a idéia, enquanto 39% têm suas dúvidas. Entre os alemães, metade apóia o euro e a outra metade acha que o país não deveria abrir mão do marco. Numa das pesquisas mais recentes, feitas no dia 15 de dezembro, 24% dos europeus entrevistados ainda não sabiam sequer o nome da moeda única.
Os economistas favoráveis à adoção do euro destacam, entre suas vantagens, o mercado potencial de 290 milhões de habitantes, maior que o dos Estados Unidos, além de um produto interno bruto que bate nos seis trilhões de dólares, cerca de um trilhão a menos que os dos americanos.
Entre os que se manifestam contra a novidade está o pesquisador francês Emmanuel Todd, para quem ‘‘existe a tendência de se falar da união monetária como se a única alternativa fosse a guerra’’. Isso, na sua opinião, ‘‘é tolo e perigoso’’. O ferroviário francês Christian Labernede, citado numa das pesquisas feitas com populares pela imprensa européia, previu ‘‘um bocado de sofrimento’’, depois da adoção do euro, temendo mais desemprego, cuja taxa, hoje, chega a 11%.
Já o alemão Franz Schmidt, cabeleireiro aposentado que enfrentou a crise inflacionária causada pela ascensão de Hitler, acha que ‘‘brincar com moedas é brincar com fogo’’. E pergunta: ‘‘Para que precisamos de uma moeda que vale menos que a nossa?’
Os que se manifestam contra a nova moeda têm sido chamados ironicamente de ‘‘eurocéticos’’. O diretor do Instituto Francês de Estudos Políticos, Richard Descoings, também admite que o risco político dessa medida é grande, mas faz uma previsão otimista. ‘‘Existe algo mais político do que o dinheiro?’, perguntou, em entrevista à imprensa internacional. ‘‘Assim que estivermos com o euro no bolso, o dinheiro nos unirᒒ.

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