Ano 2000 pode provocar caos mundial
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sábado, 28 de junho de 1997
Cristine Pieske Curitiba 
Kraw PenasPrejuízoJames Cassell durante palestra na CIC: mudanças em todos os países custariam de US$ 300 bilhões a US$ 600 bilhões, e o dinheiro teria que sair do cofre dos governosTodos os usuários de computadores - incluindo as empresas e os governos - têm, a partir de agora, um prazo máximo de 76 semanas para garantir a sobrevivência de suas atividades. No início do ano 2000, e até mesmo antes disso, os sistemas de informática precisam ser alterados sob pena de deixar de funcionar ou cometer falhas irreversíveis. Apesar de ainda estar sendo ignorada, a simples mudança de data deverá provocar, só no Brasil, prejuízos superiores a US$ 25 bilhões. É o verdadeiro caos mundial, adverte, sem exageros, o vice-presidente americano do Gartner Group, James Cassell, considerado o maior expert do assunto no mundo e que esteve sexta-feira em Curitiba.
O fato, que preocupa até mesmo o mais cético dos matemáticos, parece simples: os computadores não conseguirão entender que o ano 00 (abreviatura de 2000) é sequência do ano 99 (ou 1999). Como resultado, os sistemas de informática irão travar, os arquivos serão perdidos e nenhuma operação, de qualquer natureza, poderá ser realizada. O pânico causado pela idéia mobilizou, até agora, apenas 15% das empresas americanas e 5% das brasileiras - percentual que mede o número de instituições que já estão adaptando seus sistemas para a mudança de dígitos. Aquelas que ainda não começaram o processo, iniciam agora, segundo Cassell, uma corrida contra o tempo.
A imagem do caos vislumbrada por James Cassell, no futuro próximo, é de empresas quebradas, bancos parados, fim do comércio entre os países, aposentados sem conseguir receber suas pensões, enfim, um mundo que não possa mais depender de nenhuma operação feita por computador. É como imaginar um mundo totalmente sem dinheiro para nada, compara. Para evitar o fim destas operações, o especialista americano recomenda a adaptação rápida dos sistemas. Todas as mudanças que teriam de ser feitas, segundo os cálculos de Cassell, custariam cerca de US$ 300 bilhões a US$ 600 bilhões, incluindo todos os países. E a previsão do teórico é que este dinheiro terá de sair dos cofres do governo, com o corte de programas secundários e elevação das taxas de juros, e de empréstimos, nos casos das empresas privadas. Não há escolha possível, diz.
O processo de adaptação sugerida por Cassell contempla cinco etapas, que na maioria dos casos ainda não foram nem sequer iniciadas. O primeiro passo seria um inventário de todos os sistemas e programas utilizados, seguido de uma avaliação detalhada de quais destes materiais podem ser dispensados e quais precisam ser readaptados. A tarefa seguinte seria criar um plano para resolver os problemas já diagnosticados, e depois testar possíveis correções. O último passo seria colocar em prática o plano de correção definitiva.
O vice-presidente do Gartner Group é reticente ao especificar a maneira como estes problemas podem ser resolvidos, mas afirma que o pacote de soluções inclui softwares capazes de fazer a conversão de datas e senhas - que muitas vezes possuem a mesma lógica de combinação -, além de separação de arquivos e outras maneiras de enganar os computadores. Ele adverte, no entanto, que não existe softwares mágicos, e que a questão exige também operadores e técnicos bem preparados.
O gerente de Soluções para o Ano 2000, da IBM do Brasil, Fábio Costa, afirma que desde o início do ano passado a empresa criou um setor de consultoria especializada para tentar solucionar os problemas. Costa explica que as soluções não incluem apenas programas específicos, mas também novas tecnologias em hardware, que também estarão comprometidos. Hoje, muitos hardware possuem relógios internos, que seguem as mesmas sequências das datas.
O gerente da IBM também adverte sobre a escassez de tempo hábil para preparar todos os sistemas. Não adianta um empresário pensar que, por ter muito dinheiro, poderá mudar seus computadores em dezembro de 1999, diz. Segundo Costa, muitos empresas, qua estão ignorando o assunto, estão fadadas a falir. Hoje, outras dez empresas no Brasil estão oferecendo consultoria para a virada do século. Nos Estados Unidos, o serviço começou em 1995.


